
- Ítalo gosta da literatura pelos caminhos de sentir e de pensar que ela abre. (Foto: Marcele Gouche)
Atrás dos livros, um jovem de 24 anos apaixonado pela leitura. À frente dos alunos, um professor que instiga o gosto pelas histórias. Ítalo Puccini é assim, está sempre às voltas com a literatura.
Formado em Letras, ele já cogitou ser jornalista por um motivo somente: queria é viver da escrita, apesar de não ter a mínima ideia de como conseguiria tal façanha. Mas, acabou desistindo também por causa de um detalhe: sair de Jaraguá do Sul para estudar estava fora dos planos. Então, a segunda opção virou a primeira e deu tudo certo. E uma surpresa bastante agradável apareceu.
Em 2007, Puccini se deparou com a oportunidade de entrar nas salas de aulas como mestre. A sugestão nem fazia parte do roteiro almejado, mas virou realidade. Ainda bem! Agora, ele nem pensa em largar os livros didáticos e, muito menos, os alunos. Não por enquanto. A energia dos estudantes cativa. “O ensinar e o aprender acontecem bem para além do que a gente espera. É a convivência, sabe?”, explica.
Tudo bem que nem todos os momentos são de pura harmonia. A tal convivência desgasta qualquer relação, ou seja, consegue corroer facilmente o convívio entre o professor e seus jovens espectadores. Entretanto, o segredo é o respeito. “Porque tem dia em que tu não estás legal em sala e tem dia em que eles não estão. O lance é não invadir o espaço do outro”, ensina.
A parceira com os estudantes é tamanha que uma delas virou até sócia em um projeto literário. Junto da ex-aluna Cauana Cidade, Puccini criou dois personagens. Eles trocaram quase 20 cartas ao longo de dois anos e, assim, compuseram um livro programado para ser lançado em 2012. Além deste, o escritor já narrou a trajetória do avô, Vilmar, ex-goleiro do time do Caxias, de Joinville, nas páginas de outra publicação. Ela ganhou as prateleiras das livrarias em 2009.
Entre as escritas, Puccini lê e muito. Logo no início, quando descobriu as bibliotecas, ele se encantou. Em tempos de ensino médio, tinha as tarde livres e, por isso, encarou coleções inteiras de Sidney Sheldon, Danielle Steel, Machado de Assis, Clarice Lispector. Pouco importava o que era clássico, best-seller, contemporâneo, nacional ou internacional. Até romances espíritas atraíram os olhos por um período.
Com a bagagem cheia de histórias para contar, não fica nada difícil estimular as crianças e adolescentes prontos a ouvi-lo na escola. “Há muitos textos que eu como leitor não leria, mas, que como professor, acho excelentes para a gurizada tomar gosto”, enfatiza. Na opinião de Puccini, o importante é começar e, assim, mais tarde trilhar o próprio caminho de acordo com as preferências descobertas nesse percurso.
