
- Sucesso no mundo todo, “Os Miseráveis” já foi adaptado para quadrinhos, cinema, animação e teatro, com na montagem musical de Claude-Michel Schönberg (Divulgação)
Publicado originalmente em 1862, o clássico de Victor Hugo traz um retrato extremamente complexo e detalhado da vida e das injustiças na sociedade francesa entre 1817 e 1835. E no mesmo ano em que era lançado em Paris, era publicado em edições traduzidas para o português, alemão, inglês, russo, italiano e espanhol.
Enfrentando a rejeição da sociedade, Valjean rasga seu passaporte e parte em uma longa jornada de redenção, se estabelecendo como um grande filantropo ao mesmo tempo que se torna um foragido da justiça. “Os Miseráveis” – ou Lês Miserábles, para os puristas – trata de um dos temas mais complexos a literatura e a sociedade: a redenção e a desigualdade.
Além de Jean Valjean, a trama acompanha também outras vidas praguejadas pelo sofrimento e a injustiça: do obcecado investigador Javért, determinado a levar Jean Valjean a justiça a qualquer custo, ao jovem e apaixonado estudante Marius, envolvido acidentalmente com grupos revolucionários. Da pobre Fantine, condenada a miséria e tratada como uma prostituta por ter tido uma filha antes do casamento, largada aos cuidados do ganancioso e mesquinho Thenardiér, levado a falência após ter a menina “abduzida” por Valjean, cumprindo uma promessa. E é claro, a pequena Cosette, criada por Jean Valjean durante seu refúgio em um convento em Paris.
Sofrimento, amargura e reviravoltas cercam estes e outros personagens, vidas entrelaçadas em mais detalhes do que aparentam, enquanto Victor Hugo conta não apenas as suas histórias, mas também detalhes sobre o ambiente parisiense, sobre a batalha de Waterloo, a sociedade francesa, enquanto discorre sobre política, religião, moralidade, redenção e as diferentes manifestações de amor.
Longa história no cinema e no teatro
Além da adaptação que estréia no final deste ano, estrelando Hugh Jackman como Jean Valjean, Russel Crowe com o Inspetor Javert, e Sacha Baron Cohen como o senhor Thenardier, “Os Miseráveis” teve numerosas adaptações teatrais, musicais e cinematográficas. De fato, o filme com previsão de estréia para dezembro é a 51ª adaptação em vídeo da trama, isso descontando-se animações.
No cinema e na televisão já foram quase Desde adaptações fiéis, como o francês “Lês Miserables”, de 1972, com Georges Geret no papel principal, e a adaptação hollywoodiana de 1998, com Liam Neeson como Jean Valjean, Claire Danes como Cosette e Geoffrey Rush como o inspetor Javert, até recontagens em ambientes diferentes do original. Caso da adaptação francesa de 1995, que reconta a trama durante a primeira Guerra mundial, através de um homem que vê em sua vida um paralelo com o clássico de Victor Hugo, e do japonês Kiyojinden, de 1938.
Também marcou presença na teledramaturgia brasileira, com a novela “Os Miseráveis”, de 1967, pela TV Bandeirantes, adaptando de forma fiel o texto literário. Mas fora do formato literário, é no palco que a trama fez mais sucesso, com o musical de Claude-Michel Schönberg, com múltiplas produções desde sua estréia em 1980. E é esta adaptação que serve de base para o novo filme, cujas filmagens começam em fevereiro.
Sobre o autor

- Um dos mais amados escritores da França, Victor Hugo retrata de forma comovente a injustiça na sociedade francesa no século XIX (Reprodução)
De inicio um grande defensor da monarquia, ao longo da vida mudou de posição, passando a defesa dos ideais da República da França, de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Embora seja mais conhecido na França como poeta e estadista, fora do país de origem sua fama vem de seus dois grandes romances: “Os Miseráveis” e “O Corcunda de Notre Dame” – dois dos mais notórios exemplares do movimento romântico na literatura francesa.
Victor Hugo faleceu de causas naturais em maio de 1885, aos 83 anos. Sua morte causou grande comoção nacional – como estadista e ativista, ajudou a moldar a terceira república e a democracia francesa. Mais de dois milhões de pessoas se juntaram a sua procissão funerária, do Arco do Triunfo até o Panteón, onde divide uma cripta com outros dois luminares da literatura francesa – Emile Zola e Alexandre Dumas. Na maioria das cidades francesas, existem ruas, avenidas ou parques com seu nome.
Como testamento, deixou apenas cinco frases curtas: “Eu deixo 50 mil francos aos pobres. Quero ser velado em sua honra. Rejeito orações funerárias de todas as igrejas. Imploro por uma oração por todas as almas. Acredito em Deus”.
