
- Com visual de Bruno Okada, série de animação traz o Narizinho, Pedrinho e Emília de volta às telinhas – e já está confirmada para outros países (Reprodução)
A grande obra do mais celebre autor da literatura infanto-juvenil brasileira volta neste sábado às telinhas, com a estreia pela Rede Globo de mais uma série televisiva do “Sítio do Picapau Amarelo” – desta vez, em animação. O primeiro dos 26 episódios já produzidos, “Em Algum Lugar”, é baseado no primeiro livro do sítio, “Reinações de Narizinho”, e vai ao ar às 10h45.
Marcando a infância dos brasileiros desde 1921, agora chega mais uma oportunidade para a geração atual conhecer as aventuras de Narizinho, seu primo Pedrinho e a boneca Emília, no sítio da avó, Dona Benta. Ao lado de personagens como o visconde de Sabugosa e a cozinheira Tia Nastácia, as crianças e a boneca encontram figuras famosas do folclore brasileiro, como o Saci e a Cuca.

- O novo desenho é fruto de uma parceria da Globo com o estúdio de animação Mixer (Reprodução)
E nas telinhas, o Sítio é um sucesso desde a década de 50, com adaptações na TV Tupi (de 1952 até 1962), na Cultura (1964), na Bandeirantes (1967 à 1969) e na Rede Globo (de 1977 à 1986, e novamente entre 2001 e 2006). É com o tema de abertura da série dos anos 70 que a nova versão do Sítio abre sua trilha sonora – pois como afirma Avelar, é difícil imaginar o sítio sem a canção de Gilberto Gil.
Com direção de Avelar e design do paulista Bruno Okada, o novo desenho é fruto de uma parceria da Globo com o estúdio de animação Mixer (de “Escola pra Cachorro”, do canal Nickelodeon). Okada foi escolhido entre outros oito artistas, para criar o novo visual do sítio – inspirada pelo estilo simples e expressivo de “As Meninas Super Poderosas”.
A série já foi comprada pelo canal a cabo Cartoon Network, para exibição na América Latina, e deve ser comercializado para canais de todo o mundo na MipTV – feira de animação que ocorre em Cannes no mês de abril.
O que: Estréia “Sítio do Pica Pau Amarelo”
Quando: Sábado, às 10h45
Canal: Globo
Sobre o Autor

- Monteiro Lobato é o criador do Sítio do Picapau Amarelo (Divulgação)
Natural de Taubaté, no estado de São Paulo, Monteiro Lobato foi um dos mais influentes escritores brasileiros no início do século passado. Além de seus livros para o público infantil – dos quais o maior destaque são os do Sitio do Pica Pau Amarelo – Lobato também escreveu contos, crônicas e críticas, atuando na Revista Brasil. Em 1920 fundou a editora Monteiro Lobato & Cia – posteriormente Companhia Editora Nacional. Escreveu teses sobre o saneamento básico, educação, e economia.
Feroz defensor do nacionalismo, fundou várias empresas visando a exploração de petróleo no território brasileiro, atraindo a ira de vários políticos e empresários – na campanha pelo petróleo nacional, ao ingressar na Academia Paulista de Letras, apresentou “O Escândalo do Petróleo”, dossiê no qual acusava o governo Vargas de “não perfurar e não deixar que se perfure”.
Também criou o personagem Zeca Tatu, crítica as condições da população rural brasileira. Embora seja um dos mais bem avaliados escritores do país, nunca integrou a Academia Brasileira de Letras, sendo rejeitado em 1926, e recusando o convite em 1944. Faleceu em 4 de julho de 1948, aos 66 anos, causando comoção nacional – embora a época de sua morte fosse mal visto pelo governo devido a simpatia que tinha pelo comunismo, chegando a atuar como diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS.
Polêmica com o MEC
Em 2010, uma polêmica cercou o conjunto da obra de Monteiro Lobato, em especial o Sitio do Pica Pau Amarelo: uma denúncia protocolada por um mestrando da Universidade de Brasília acusava o escritor de incitar o preconceito contra negros. Citava-se o trecho “Tia Nastácia (...) trepou que nem uma macaca de carvão pelo mastro de São Pedro acima”, de “Caçadas de Pedrinho”. Em sequência, o ministro da secretaria da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araújo, afirmou que a obra de Lobato era “racista” e “perversa”.
Em resposta, o Conselho Nacional de Educação (CNE) considerou banir os livros de Lobato das salas de aula e emitiu um parecer ordenando que o livro “Caçadas de Pedrinho” fosse excluído do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). O que levou a um intenso debate envolvendo o Ministério da Educação (MEC) e a secretaria de Igualdade Racial, professores, e a imprensa. Ao final das contas, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anulou o parecer, julgando que mesmo que o texto de Lobato possa ser considerado racista por alguns, omiti-lo das escolas, ou censura-lo, seria ainda pior para a literatura brasileira como um todo.
