Acusado de matar e enterrar a companheira em Guaramirim vai a júri

Lúcio Lino Soares matou e escondeu o corpo de adolescente em 11 de junho

Carolina Carradore
Publicado 17/02/2012 às 09:52:21 - Atualizado em 17/02/2012 às 10:25:20
Durilde mostra local onde filha foi enterrada, hoje coberto por rosas. (Foto: Marcele Gouche) 

O medo de ficar frente a frente com o assassino da filha, tem tornado os últimos dias ainda mais difíceis para a dona-de-casa Dorilde Aparecida da Rocha, 31 anos. Ao mesmo tempo, é tomada por uma sensação de alívio ao saber que daqui a exatamente uma semana, Lúcio Lino Pereira Soares, 21 anos, enfrenta o banco dos réus. Ele está preso desde junho, quando confessou ter matado e enterrado no quintal de casa o corpo da companheira Andréia da Silva, 17 anos.

Lino está detido no Presídio Regional de Jaraguá desde o dia 22 de junho do ano passado, dia em foi localizado o corpo da companheira enterrado no quintal de casa, no bairro Corticeira, em Guaramirim. Ela estava desaparecida desde o dia 11 do mesmo mês. No próximo dia 24, ele deixará o presídio com forte escolta policial para enfrentar o júri popular, às 9h, no Fórum de Guaramirim. O júri será presidido pela juíza Anna Finke Suszek e o Ministério Público será representado pela promotora Maria Cristina Pereira Cavalcanti Ribeiro.

Vinte e cinco jurados foram sorteados na semana passada para comparecer ao Fórum. Sete deles serão sorteados para constituir o Conselho de Sentença. Policiais militares farão a segurança do local. A previsão é que o julgamento termine até o final do dia.  Lúcio é acusado de homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e emprego de asfixia, previsto no artigo 211 e por ocultação de cadáver, tipificado no artigo 211.

“Ele tirou parte de mim”

Sentada na cozinha de casa, Durilde conta da sua rotina, passado oito meses da morte da filha mais velha. “Ele tirou parte de mim. Tem dias que estou bem, mas têm outros que só o que sei fazer é chorar”, diz. Ela continua morando na casa onde o cadáver da filha ficou escondido por 11 dias, pois não tem condições de mudar de moradia. Para amenizar a dor, plantou rosas no local. “É uma forma que encontrei de homenageá-la. Às vezes eu rezo e fico aqui horas. É como se ficasse mais perto dela”, diz. A pequena casa de madeira onde Andreia morava com Lúcio foi destruída pela família. “Ele matou minha filha lá. Não quero mais nenhuma lembrança desse dia terrível”.

Depois da prisão de Lúcio, Durilde o viu rapidamente durante uma audiência no Fórum. “Eu o vi passando, foi o suficiente para passar mal. É difícil encará-lo, mas no dia do julgamento estarei lá e quero justiça”. A frieza de Lúcio deixa a dona-de casa ainda mais chocada. “No dia do crime, eles fizeram um churrasco e ficaram bebendo. Ficaram de dormir na minha casa, mas não apareceram. No outro dia, ela sumiu. Por mais de uma semana ele sentava na mesa da cozinha e eu perguntava se ele havia procurado por ela. Ele respondia tranquilamente que não sabia dela. É uma frieza que não tem explicação”.

Entenda o caso

Andreia da Silva, 17 anos, morava com o companheiro, nos fundos da casa da mãe, em Guaramirim. Dia 11, segundo parentes, o casal teve uma briga séria. No outro dia, a garota não apareceu em casa. Lúcio dizia à família que ela havia saído de casa.  A mãe passou a procurar pela filha no mesmo dia. Ligou para as amigas, parentes e nada. Resolveu registrar o desaparecimento na delegacia. Cinco dias antes do aparecimento do corpo, Lúcio tentou matar a irmã de Andreia, de 16 anos. Ele teria tentado sufocá-la, mas foi socorrida pelos vizinhos. Desde então, estava proibido pela Polícia de chegar perto da casa. O corpo de Andreia foi localizado 11 dias depois no quintal de casa. bombeiros, polícias Militar e Civil o retiraram de um buraco de cerca de um metro de profundidade.

Lúcio foi preso na mesma noite. Na delegacia, ele confessou que sufocou a vítima até a morte, que cavou um buraco por volta das 22h e enterrou o corpo.


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