
- Obras nos posto de saúde do Corticeira estão quatro meses atrasadas (Foto: Marcele Gouche)
O prazo era de 180 dias, mas faz sete meses que os moradores do bairro Corticeira, em Guaramirim, esperam pelo novo posto de saúde. Enquanto isso, a população de seis mil habitantes freqüenta a unidade cuja estrutura está precária.
O posto do Corticeira atendeu 6.804 pessoas de janeiro a outubro deste ano. Desde o final de novembro, só havia horário para consulta no começo de 2012. Erondina Formigari, 60 anos, é uma das moradoras que está acostumada a esperar um mês para ser atendida e tratar os problemas de tireóide, bexiga e coluna.
Apesar do transtorno, a filha de Erondina, Elenir Flores, 32 anos, diz que “não pode reclamar”. Segundo ela, o atendimento é bom. Elenir precisa ir ao posto toda semana, desde julho, por causa de problemas no coração e obesidade. "Não adianta ter posto grande e não ter médico", afirma, alegando que o ponto negativo da unidade é a falta de profissionais. O posto não tem pediatra para atender às duas filhas pequenas dela, por exemplo.
Na opinião da diretora de Saúde de Guaramirim, Caroline Lutz, os postos da cidade recebem grande demanda por consultas e exames, mas o problema de lotação é de estrutura e deverá ser resolvido com a inauguração de novas unidades. De acordo com ela, as obras no posto do Corticeira estão atrasadas devido a um impasse com a empreiteira.
Novos postos de saúde só a partir de fevereiro

- Unidade do Centro atendeu 24.227 pessoas até outubro (Foto: Marcele Gouche)
Na Ilha da Figueira, onde não há posto de saúde, uma unidade deve ser inaugurada em março. “A intenção é diminuir a lotação no Centro”, explica a diretora. Lá, foram 24.227 atendimentos nos dez primeiros meses de 2011. O posto é o único de Guaramirim com atendimento odontológico.
As unidades do Centro e Corticeira são as únicas cujo prédio pertence à Prefeitura. As outras ficam todas em espaços locados, assim como será a da Ilha da Figueira.
Um mês de espera por consultas e falta de médicos

- Para, Caroline Lutz, diretora de Saúde, falta de médico é um problema geral (Foto: Marcele Gouche)
Além do posto da Corticeira, outros só têm agenda para o próximo ano, como o do bairro Rio branco, onde a média de atendimento chega a 100 por dia. O total de 6.863 pessoas foram atendidos na unidade de janeiro até agora.
Araci Batista, 45 anos, precisa ir uma vez por mês ao posto do Rio Branco para tratar da pressão alta. Ela chega às 7h para ser uma das primeiras da fila, mas, mesmo assim, o atendimento geralmente começa às 8h30. “Depende do horário que o médico chega”, conta.
As consultas na unidade do Avaí só estão sendo marcadas o dia 20 de janeiro de 2012 em diante. Lá, 7.166 receberam atendimento em 2011, até outubro.
Segundo a diretora de Saúde, “a falta de médico é um problema geral”. Os oitos postos de saúde que Guaramirim contam com três ginecologistas, três pediatras, cinco médicos da família e seis clínicos gerais. A equipe deve aumentar em 2012, após a efetivação de seis médicos que serão selecionados no concurso público.
Nem tudo está perdido
Alguns postos de Guaramirim não são tão afetados pela falta de estrutura e profissionais. É o caso da unidade do Imigrantes, onde 5.394 pessoas foram atendidas entre janeiro e outubro. Lá, é possível marcar consultas para oito dias, mesmo tempo que os moradores do Guamiranga esperam na unidade São Pedro Alcântara.
Para Maria Nelsi Frare, técnica enfermagem no Guamiranga, a equipe supre bem a demanda das 5.400 pessoas que receberam atenção até outubro deste ano. Uma delas é Gisele Lopes Martins, 39 anos, que não se incomoda em esperar 30 minutos pela consulta. “Vale a pena esperar pelo atendimento”, elogia.
Resgatando a relação entre o médico e a comunidade
Dos oitos postos de saúde de Guaramirim, três são unidades básicas (Centro, Avaí e Caixa d’Água) e os outros cinco são equipes de Saúde da Família, que possuem um médico exclusivo e agentes comunitários que fazem o acompanhamento com os moradores.

- Posto de saúde da Vila Amizade funciona como Equipe de Saúde da Família (Foto: Marcele Gouche)
O sistema é usado na Vila Amizade, onde 5.568 pessoas foram atendidas entre janeiro e outubro. Segundo a enfermeira da unidade, Maria Fernanda Pacher, os médicos da família “são especialistas em tudo”. “São profissionais que atendem aos pais durante anos e depois aos filhos. É uma maneira de formar um vínculo com a comunidade e resgatar aquela imagem do médico sempre presente”, explica.
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