Os caramujos estão de volta. Cuidados devem ser reforçados no verão

Com o verão, molusco invasor sai da hibernação, e exige cuidados especiais para a erradicação

Pedro Henrique Leal
Publicado 26/01/2012 às 09:58:50 - Atualizado em 26/01/2012 às 10:10:45

Com as temperaturas em elevação e a umidade típica do verão, uma das principais espécies invasoras volta a dar as caras: depois de passar o inverno hibernando, e a primavera em ritmo reduzido, os caramujos africanos estão acordando e invadindo residências.

Segundo a diretora da Vigilância em Saúde de Guaramirim, Tatiana Carstens, o animal tem se espalhado por toda a região. “Aqui temos recebido queixas a respeito do caramujo todas as semanas, em quase todos os bairros”, afirma.

“Esquentou, choveu, eles voltam à atividade”, diz Tatiana. Por ser nativo da África, o molusco não tem predadores naturais no Brasil e, por isso, se reproduz sem controle. O caramujo é resistente e isso facilitou a dispersão da praga pelo país. “Quando a infestação começou, as pessoas muitas vezes jogavam o caramujo no lixo ou nos rios, e a infestação migrava para outro lugar”, explica.

Para recolher o caramujo, é recomendado o uso de luvas ou de uma sacola plástica para evitar contato direto. “Eles são vetores de doenças e parasitas, incluindo uma forma de meningite e, portanto, exigem cuidados”, explica. A forma correta de se livrar da praga, afirma, envolve cobrir o molusco com sal ou com cal. “Mas é importante esmagar a concha, para que não se torne um foco de mosquitos”, ressalta, notando que se feitos sem cuidado, estes métodos de controle podem alterar o PH do solo, e causar outros problemas.

Molusco foi importado como alimento

Nativo do Nordeste africano, o Achatina fulica foi introduzido ilegalmente no ecossistema brasileiro em 1988, como um substituto barato para o escargot. Sem sucesso comercial, produtores no Paraná e no Rio Grande do Sul soltaram os caramujos nas matas, onde o ritmo de reprodução e a falta de predadores levaram a infestações. Em 2003 o Ibama determinou a erradicação dos caramujos africanos em todo o país, porém com pouco sucesso.

O que fazer

- Evite contato direto com o caramujo, use luvas ou um saco plástico

- Não é recomendado o uso de venenos: a maneira mais segura de matar o caramujo é com cal ou sal

- Esmague a concha para que não passe a acumular água e virar um foco de mosquitos

-Não jogue o animal no lixo ou nos rios – isso apenas move a infestação para outro local


comentários

Formulário de Comentário
 

leia também