
- José Aguiar quer continuar na política e concorrer à Prefeitura pelo PSD. (Foto: Eduardo Montecino)
O decepcionado
A experiência no cargo de vice-prefeito frustrou Altair José Aguiar (PSD). Eleito em 2008, aliado ao seu par Nilson Bylaardt (PMDB), afirma ter sido deixado de escanteio pelo peemedebista. “Nunca tive espaço para atuar dentro do governo. Bylaardt despreza o meu trabalho”, alega.
Aguiar não compreende a atitude do ex-aliado político e diz que a atual administração está envergonhando sua família. “Espelho da minha vida pública e privada é o meu pai, José Perfeito Aguiar, que foi um dos prefeitos mais honestos de Guaramirim, que vive hoje com uma aposentadoria de R$ 1,4 mil”, declara.
A família de Aguiar tem uma história política no município, que o atual vice-prefeito pretende continuar e deixar no passado o que restou da parceria com Bylaardt. 2012 é ano de eleição e Aguiar quer disputar a corrida majoritária. “Não vou admitir que uma péssima administração manche o nome da minha família”, ataca.
Aguiar deixou o PPS, partido pelo qual concorreu a vice de Bylaardt. Mas o desgaste maior da ex-legenda ocorreu com o caso do sumiço do ônibus em abril deste ano, quando o ex-secretário Ademir Tank (PPS), colega de partido na época, foi acusado de desaparecer com o patrimônio público.
Agora, Aguiar aposta em uma composição partidária pelo PSD. Já foi eleito duas vezes vereador, assumiu a Secretaria do Esporte no governo de Victor Klein e concorreu a vice de Carlito Mannes duas eleições passadas. “Estamos abertos para conversações com partidos que não sejam da base aliada de Bylaardt”, avisa.
Aos 49 anos de idade, está casado e tem três filhas. “Sou feliz por ter tantas mulheres em minha vida”, brinca. É formado como professor de educação física há 32 anos. Mas há 10 anos atuou à frente da direção das escolas São Pedro, no Guamiranga, e Almirante Tamandaré, no Centro.
SAIBA
Salário do vice de Guaramirim: R$ 5 mil
Trechos da carta de Aguiar a Bylaardt
“O propósito desta é esclarecer para Vossa Excelência as razões maiores do meu afastamento da administração municipal, onde, nos últimos tempos, não vi nenhuma razão para continuar, pois os compromissos que assumimos com os cidadãos guaramirenses, os quais constam do plano de governo, não estão sendo cumpridos, pelo contrário, desvirtuados de forma que levam muitos a concluir que há indícios de má-fé.
(...) Ganhamos uma eleição para melhorar Guaramirim. Administrar com seriedade, transparência e sem qualquer desperdício financeiro. Isto não vem acontecendo. É lamentável que um município como este, classificado como o 13º no Estado no produto “valor adicionado” o que representa o retorno do ICMS para o município, tenha que apelar sistematicamente para empréstimos para realizar investimentos, evidenciando o descontrole ou o comprometimento das finanças públicas em despesas correntes, ou seja, basicamente em custeio da estrutura administrativa e outras despesas que nada somam para a satisfação da obrigação da administração pública.
A forma arrogante, autossuficiente e com decisões limitadas a algumas pessoas, fazem só aumentar o número de insatisfeitos. O envolvimento de algumas pessoas com credibilidade duvidosa na administração, decisões nebulosas e a ânsia de mudanças para apagar marcas de gestões passadas, vão transformar esta administração numa página negativa na história de Guaramirim.
(...)O idealismo e o sonho de mudar a nossa cidade, base do nosso entusiasmo na campanha eleitoral que vencemos, foram manchados. Não posso compactuar com tantos atos de legalidade duvidosa. Não quero ver meu nome e da minha família envolvidos em fatos eivados de vícios, hoje, tão combatidos pela sociedade (...)".
