“Estou respeitando o eleitor de Jaraguá, não estou de sacanagem”

Vereador por três mandatos e ex-presidente da Fesporte, Carione Pavanello (DEM) disputa sua segunda eleição para deputado estadual.

Giovanni Ramos
Publicado 07/09/2010 às 14:06:55 - Atualizado em 07/09/2010 às 14:32:13

Em 2006, fez 18 mil votos e ficou como suplente da coligação PMDB-DEM. Para 2010, Pavanello aposta na estadualização do nome, através do trabalho feito no comando da Fesporte, para sair vitorioso nas urnas. O democrata  abre a série de entrevistas do O Correio do Povo com os candidatos à Assembleia Legislativa.

O Correio do Povo: Depois de três anos e meio na Fesporte, o que motiva o senhor a voltar para uma disputa a deputado estadual?

Carione Pavanello: Na eleição passada, eu vi a possibilidade de o meu nome crescer, podendo estadualizá-lo como presidente da Fesporte. Investi nisso. Não participei das eleições de 2008 como candidato a prefeito. Estou preparado para estas eleições. Como vereador por três mandatos, vejo a política como uma forma de ajudar as pessoas. Chegou a hora de ajudar na Assembleia.

OCP: Quais as suas principais propostas para essas eleições?

CACA: Temos seis eixos para trabalhar: saúde, educação, esporte, segurança pública, mobilidade urbana e agricultura. Mas eu não posso ter um deles como prioridade máxima. Porque para uma parte do eleitorado, o mais importante é a saúde, para outros, a mobilidade urbana. As propostas precisam de equilíbrio para serem todas contempladas. 

OCP: E o que é preciso fazer nesses seis eixos em Jaraguá do Sul e Vale do Itapocu?

CACA: Na saúde, precisamos investir pesado nos dois hospitais da cidade, que atendem todos os pacientes da região. Mas é preciso uma atenção maior com as estruturas nas outras cidades. Se os hospitais funcionarem em Massaranduba e Corupá, por exemplo, diminui a demanda no São José e no Jaraguá, que devem receber apenas os casos mais complexos da região. Escola em tempo integral é o caminho na educação. Nós estamos perdendo os jovens para a droga. Eles têm que estar estudando, fazendo atividades culturais, esportivas e de lazer, e os pais ficam mais tranquilos. O ensino médio precisa mudar também, dar um rumo para os estudantes, ele precisa ser profissionalizante. É necessário para que o jovem, ao terminar o segundo grau, tenha uma profissão, saiba fazer alguma coisa.

Também sou a favor da privatização das universidades federais. O Estado ganharia recursos para investir em bolsas de estudo, para que aqueles mais carentes possam fazer uma faculdade, o que não ocorre hoje. Esse aluno que ganhou o benefício pagaria depois em serviços ao Estado.

No esporte eu defendo que o setor tenha uma secretaria estadual própria, assim como Cultura e Turismo. O modelo de hoje não serve, pois não podemos ficar refém de uma secretaria para as três áreas. Com independência, esses setores seriam muito mais valorizados.

OCP: Segurança pública, mobilidade urbana e agricultura?

CACA: Jaraguá do Sul não tem vez e voz no governo estadual. Estamos há oito anos para inaugurar a Delegacia da Mulher, precisamos de maior efetivo. É preciso alguém que cobre na Assembleia.

E a mobilidade urbana é urgente na região. Depois das 17 horas, o trânsito fica insuportável. Jaraguá do Sul é a única cidade do nosso porte que não possui nenhum viaduto. Precisamos de mais sete ou oito pontes também. Mas os investimentos são caros, principalmente em desapropriações. A Prefeitura tem um orçamento limitado e não consegue pagar tudo sozinha.

O nosso agricultor precisa ser mais valorizado também. Temos uma produção forte, principalmente com o leite e estamos tirando as famílias do campo por falta de incentivos. Fomentar a agricultura familiar é o básico.

OCP: E como está a campanha nas ruas? O candidato anda passando muito tempo em outras regiões.

CACA: Se você não estadualizar o nome, as chances são muito pequenas. A divisão de votos na nossa região é grande. E eu vi na eleição passada que preciso fazer isso. Estou buscando apoio junto ao DEM de outras cidades, da classe do esporte.

OCP: Quantos votos são precisos para se eleger? Por que acredita que tem chance?

CACA: De 28 mil a 35 mil é preciso para entrar na disputa. Mas estou trabalhando para chegar nos 40, 50 mil. Eu fiz 18 mil votos em 2006 entrando na disputa três meses antes. Agora é diferente, a presidência da Fesporte tem visibilidade. Eu tenho apoio em mais de 100 cidades.

OCP: E a dobradinha com Ivo Konell (DEM) para deputado federal?

CACA: O Ivo saiu em cima da hora, mas tem um nome um pouco estadualizado, pois foi duas vezes deputado estadual. O Democratas de toda a região está fechado com a gente, isso é algo que eu também não tinha em 2006.

Estou respeitando o eleitor de Jaraguá, não estou de sacanagem. Eu tenho chances de vencer e não estou na disputa por picuinha política ou pensando nas eleições de 2012. A Acijs faz campanha por representatividade política e tem candidato a deputado estadual com placas e santinhos pedindo votos para federal de outra região. Eu fechei com o Ivo, que também é daqui.

OCP: Como avalia as campanhas estadual e nacional?

CACA: Estou tranquilo na disputa estadual, pois o Colombo tem uma coligação muito forte e ele está muito bem no horário eleitoral, nos debates. A hora que ele passar a Angela, os dissidentes da tríplice voltam atrás.

Já a nacional o José Serra (PSDB) tem uma campanha difícil pelo momento em que vive o país e pela popularidade do Lula. Mas a política é muito dinâmica e as coisas podem mudar. Em 2006, todo mundo dizia que o Alckmin perderia para o Lula no primeiro turno, mas teve segundo. E olha que o presidente atual é muito mais forte. As eleições não estão definidas. Nem estadual, nem federal.


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