
- Justino justificou o pedido de vistas afirmando que a matéria devia ser votada com a Casa cheia. (Foto: Marcele Gouche)
Na sessão da Câmara de Vereadores ontem à noite, o atraso de dez minutos de José de Ávila (DEM) “justificou” o pedido de vistas de Justino da Luz (PT), ao projeto que altera a LOM (Lei Orgânica do Município). O presidente do Legislativo, Jaime Negherbon (PMDB), concedeu a solicitação que adia a votação da emenda que propõe a criação de mais quatro vagas no Legislativo para a próxima terça-feira (5). Zé da Farmácia, como é chamado popularmente conhecido o demista, não falou sobre o atraso e tampouco revelou o seu voto, que decidiria a aprovação ou não da proposta. Ele saiu minutos antes de encerrar a plenária.
Depois de pedir vistas ao projeto, Justino deixou a sessão para responder aos questionamentos da imprensa. Ele explicou que a decisão está embasada no Regimento Interno do Legislativo, e defendeu que o projeto, por sua importância, deve ser votado na presença de todos os vereadores. “Até o mesmo o presidente da Câmara já tinha anunciado que a matéria deveria ser votada com plenário completo. Tenho consciência de que saio daqui desgastado, mas do meu lado está o Regimento Interno”. No entanto, quem acompanhava a sessão ontem teve outra impressão. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, de Jaraguá do Sul, Raphael Rocha Lopes, lamentou o acontecimento. “Esta situação é frustrante. Não sei se foi armação, mas deu entender que sim”. O presidente da Acijs, Durval Marcatto Junior, também saiu frustrado da sessão. “Parece que estão de brincadeira. O debate já foi bastante esclarecido. Não é uma postura que se espera dos nossos representantes”.
Lorival Demathê (PMDB), que desde a votação da emenda original que prevê a criação de mais oito vagas na Câmara defende a composição do Legislativo com 15 vereadores, disse que o “caso se tornou uma brincadeira”. “Quem é a favor dos 19 vereadores deve assumir, quem quer 15 também, afinal, nós vivemos em democracia e todos têm o direito de manifestar o que defendem”. Do outro lado, Amarildo Sarti (PV), que votou a primeira vez pela criação de oito cadeiras na Câmara e agora defende a permanência de 11 vagas, disse que “a sociedade merece que o projeto seja tratado com mais seriedade”.
Líder de governo na Câmara, Ademar Possamai (DEM), que vota contra a emenda à LOM, declarou que o adiamento da votação mostra o descaso com a população. “Faltou respeito. Claro que é um direito do vereador pedir vistas, mas nesse caso não, se tratava de um assunto já bastante debatido. A imagem da política e dos políticos já é desgastada e esse tipo de comportamento contribui ainda mais para o nosso descrédito”. Negherbon também lamentou. “É um direito do vereador pedir vistas. Eu não tenho como impedir. Mas lamento que o assunto não tenha sido encerrado. Poderíamos dar um fim a este debate tendo mais dignidade”, analisou.
Formado em Direito, Ítalo Demarchi, 24 anos, que estava presente à sessão ontem, afirma que vem acompanhando a discussão do aumento do número de vereadores. Ele preza pelo princípio da democracia e do direito da maior representatividade do município. Porém, entende que a manifestação da população e das entidades contra a proposta se justifica pela qualidade e não pela quantidade de parlamentares no Legislativo.
