
- Tim trabalha desde os 16 anos com rádio e ainda tem muitos planos. (Foto: Eduardo Montecino)
São 26 anos de carreira, 21 deles na região. Acordando cedo, e dormindo tarde, aos 42 anos, o radialista, jornalista e coordenador da Band-FM Cosme Francisco de Farias – mais conhecido por Tim Francisco – é um velho conhecido dos ouvidos do Vale do Itapocu. Trabalhando com rádio desde os 16 anos, Tim já viu muito, fez muito, e ainda planeja muito.
E não são poucas as histórias que tem a contar desses 26 anos de carreia. “Uma vez, eu estava cobrindo um jogo do Novo Horizontino e o Corintians, no qual houveram duas expulsões, e fui reclamar com o árbitro. Ele simplesmente disse ‘com licença, jornalista’ e me empurrou. E lá fui eu túnel abaixo...”. O que antes foi uma experiência desagradável, hoje vira uma velha piada de carreira. “E ainda tenho uma cicatriz de quando ele me derrubou”, aponta. Outras ocasiões foram menos alegres. “Um caso que eu nunca vou esquecer foi ainda em São Paulo, uma criança de quatro anos, esquartejada”, diz, comovido.
“Eu me considero uma boa pessoa, com um coração muito grande, e já ajudei muita gente”, comenta. Pouco depois de se mudar para Jaraguá do Sul, cerca de 20 anos atrás, alugou um espaço para recolher móveis, além do trabalho que fazia como radialista. “Com o tempo, as pessoas me ligavam de noite para doar um armário, um fogão, uma cama...” relembra. E lá ia a noite buscar e desmontar os móveis, posteriormente doados para famílias carentes. E a atuação social se mantém até hoje. “Recentemente organizei um bingo para um rapaz que precisava de uma prótese na perna, adquiri o som, os brindes, e arrecadamos cerca de R$ 8,000. Ajudou muito”, nota.
Auto-intitulado “o melhor pai do mundo”, por ser “do tipo que diz ta bom, papai te ama” dez, 11 vezes por dia, fala orgulhoso do filho mais velho, Ivan. Jornalista investigativo em Nova York, mantém o contato frequente com o pai – e as vezes manda gravações diretas do que ocorre na cidade que nunca dorme. Com o mesmo carinho, trata os dois mais novos.
Nativo de Votuporanga, no interior de São Paulo, a carreira já começa com um diferencial: “Ao contrário da maioria dos radialistas, eu nunca fui operador de som, já comecei no microfone”, conta. À época, não era em rádio que queria trabalhar. “Eu fui trabalhar em rádio porque o padre da minha Igreja me sugeriu, porque eu tinha uma voz boa, mas o que eu queria era ser bancário”, explica.
Isso já vinha da infância, de origem humilde. “Aos 11 anos eu trabalhei como sorveteiro, e por volta dos 12 eu trabalhava em uma oficina mecânica, enquanto um amigo meu trabalhava em uma agência do Bradesco, e as meninas só tinham olhos para ele”, conta – à época, trabalhar em banco era um símbolo de status, obtido a duras custas aos 15 anos. “Fui aprovado em um teste do Banco Mercantil, contra mais de 100 candidatos, e logo trabalhava no banco e na rádio ao mesmo tempo”. Mas o sonho não durou: dois anos depois, a agencia começou a fechar, e logo foi demitido. “No dia seguinte, começaram a surgir as manchas”, conta, sobre o vitiligo, problema que enfrenta desde então. Há quatro anos, outro problema surgiu: foi diagnosticado com Hemoglobinúria paroxística noturna, doença incurável – mas cujos sintomas foram muito aliviados com o tratamento e o acompanhamento constante.
Hoje, mora em uma chácara em Corupá, ainda dedicado integralmente ao rádio. “O trabalho é meu sobrenome, eu sou o Tim Francisco da Band-FM”, afirma, orgulhoso.
