
- Roberto Lanznaster é ilustrador, escritor e designer gráfico (Divulgação)
O apartamento pequeno não esconde a paixão pela ilustração: é cercado por livros de arte e de animação que vive o ilustrador, designer gráfico e escritor Roberto Lanznaster. Isso junto aos filmes e obras literárias que inspiram o jaraguaense, autor de dois livros infantis e ilustrador de vários outros. “Sempre gostei de ilustração e também de desenhos animados, tanto que o meu trabalho de conclusão de curso foi sobre animação”, conta, ao passo que mostra um dos livros de referência e inspiração – uma coletânea de artes conceituais dos filmes da Disney.
E é com base nesse interesse pelo desenho que Lanznaster faz parte do seu trabalho. “Ainda não consigo fazer da ilustração a minha vida, mas se surgir a oportunidade de trabalhar somente nisso, vou aproveitar”, explica. Enquanto a chance não aparece, se mantém trabalhando como designer geral, fazendo diagramação para revistas, logotipos e ocasionais mascotes para empresas. Além da ilustração, tentou uma incursão em outros ramos da arte , porém sem muita sorte. “Eu tentei participar de uma exposição, e tinha feito uns quadros que eu achei que seriam bem polêmicos, sobre pedofilia na igreja, mas os críticos disseram que meu trabalho era ‘muito anos 90’ e portanto datado”, relembra.

- Artista se interessava pela cultura indígena quando lançou "A Flauta Mágica" (Reprodução)
Sua primeira obra como escritor, em 2005, foi uma adaptação literária infantil da ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart – uma das obras mais famosas no gênero – que repassou a trama do Egito para a floresta Amazônica. “Tem várias versões diferentes dessa ópera, incluindo uma passada na primeira guerra mundial, e eu achei que daria para passar a peça para o cenário amazônico sem dificuldades”, conta, destacando que o livro foi bem recebido. “Quando escrevi eu era muito ‘bicho-grilo’ e me interessa bastante a questão indígena”.
Este ano, lançou a segunda obra - Pocotinhas - em parceria com a estilista Samantha Quadros. “Essa foi uma oportunidade de trabalhar com uma estética que eu aprecio muito, um estilo mais vitoriano”, explica, ressaltando que embora o visual remeta à era vitoriana (final do século 19), a obra é marcada por um anacronismo muito forte.

- Em Pocotinhas, arte puxa para um estilo vitoriano, com inspiração nos filmes de Geórges Melíes e Tim Burton (Crédito: Editora RHJ)

- Ilustrações para “A Palavra Muda” têm um tom mais simbólico e surreal (Crédito: Design editora)
No tempo livre, o cinema, a música e a literatura acabam servindo de inspiração para mais trabalhos. “Embora seja algo que eu faço por prazer, não dá para separar as duas coisas, e eu sempre fico de olho na estética, na direção de arte, o tom narrativo, tudo isso acaba influenciando minhas ilustrações”, frisa. Agora, já pensa em obras novas. “A Samantha pretende uma continuação de Pocotinhas, enquanto eu tenho outros planejamentos para o futuro”, encerra.
