
- Hadelin Fritzke tem 20 bicicletas prontas para serem levadas às ruas, além de também uma infinidade de peças antigas que esperam montagem (Foto: Marcele Gouche)
Até o acender das luzes, pouco ou nenhum interesse a tal acomodação extra da residência desperta. Está ao lado da garagem, um tanto desconectado do restante da morada. Porém, basta o senhor Hadelin Fritzke colocar o dedo no interruptor e clarear o local para os olhares se fixarem e se perderem em tamanha preciosidade. Disputando espaço nos talvez quatro ou cinco metros quadrados disponíveis, estão cerca de 20 bicicletas colecionadas com seriedade durante mais de duas décadas. E nem pense que elas são quaisquer ‘magrelas’, não. As ‘bikes’ exigem respeito.
Isso porque, compõem um acervo raro e antigo. No museu particular de Fritzke há exemplares meticulosamente adquiridos, montados e expostos. De monareta Monark dos anos de 1980 a uma Vega com tranca no pneu traseiro fabricada em 1951, o aposentado só não aumenta a coleção aceleradamente por falta de espaço. Mesmo assim, conserva o sonho de expor no quartinho de casa uma versão feminina das marcas Prosdócimo ou Hermes datada da longínqua década de 1950. “É que essas faltam”, explica.
Apaixonado pelo veículo de duas rodas desde a juventude, o idoso, de quase 80 anos de idade, nem cogita se desfazer da coleção, iniciada após a venda forçada de uma bicicleta. Por causa de problemas financeiros, Fritzke precisou ceder a única Prosdócimo que tinha para equilibrar as contas. Depois, com o passar do tempo, a situação melhorou e ele decidiu adquirir não apenas uma ‘magrela’, mas várias.
O interesse vem do passado. “Eu andei a vida toda com elas”, complementa. Nos tempos de namoro, quando tinha 20 e poucos anos, o colecionador trabalhava na cidade de Blumenau e a amada companheira em Jaraguá do Sul. Por isso, a solução era atravessar a serra de Pomerode duas vezes ao mês a base de incontáveis pedaladas. Cansaço? Não, o percurso demorava três horas e valia o aparente esforço.
E falando em empenho, vale lembrar que o fato de Fritzke transformar pedaços desconectados em ‘bikes’ prontas a circular em qualquer rua na região não significa grandes e cansativas obrigações. O aposentado gosta e, no armário acomodado no canto do cômodo destinado exclusivamente a elas, há uma infinidade de peças esperando por montagem. “O tempo de jogarmos coisas antigas na sucata não existe mais, já passou”, ensina.
