
- Rua Mathias José Martins (do Juventus) fica alagada durante as enxurradas (Foto: Eduardo Montecino)
Apontado como um dos bairros nobres da cidade, o hoje urbanizado Jaraguá Esquerdo, que faz a ligação entre os bairros São Luís, Tifa Martins, Vila Lenzi, Nova Brasília e Centro, já foi área rural. Sua história começa ao integrar as terras dotais da princesa Isabel, na margem esquerda do rio Jaraguá. A década de 1930 foi um divisor de águas para a localidade, até então sem ligação direta com o Centro.
Com área de 2.256.452,31 metros quadrados, o Jaraguá Esquerdo soma 485 empreendimentos registrados junto ao setor de Protocolo da Prefeitura. Destas 485 empresas registradas, 57 são de comércio varejista, 51 de consertos e restaurações em geral, 44 de construção civil e serviços auxiliares, 35 de representação comercial e 30 de indústrias do vestuário, calçados e afins.
A lista completa dos 485 empreendimentos está no site da Prefeitura. Dentre as reivindicações dos moradores estão os investimentos em tubulação e galerias, para coibir os problemas com os alagamentos, e construção de posto de saúde, ainda com local indefinido.
Líder comunitário aponta problemas

- Alex Krehnke, ex-presidente da Associação de Moradores, procura substituto (Foto: Eduardo Montecino)
O comerciante e ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Jaraguá Esquerdo, Alex Krehnke, se dispôs a acompanhar a reportagem do OCP nos bairros mesmo desligado da função desde 2008, quando encerrou sua gestão. Ele conta que desde que saiu da presidência ninguém se prontificou a abraçar a causa de representar o bairro junto aos órgãos públicos. E aproveita para conclamar a comunidade a integrar uma nova chapa e voltar a ter representatividade junto à Prefeitura. “Já fui presidente duas vezes”, conta.
Alex reconhece que o Jaraguá Esquerdo é um bairro pequeno e com boa infraestrutura, mas reclama dos problemas enfrentados com as enxurradas nos últimos três anos. Nunca é demais lembrar que o bairro foi palco de uma das maiores tragédias climáticas em 2008, quando duas casas desmoronaram e três moradores morreram soterrados na rua Francisco Winter. O local hoje está tomado pelo mato e se transformou em uma triste lembrança.
O ex-presidente da Associação de Moradores defende a ideia de que a Prefeitura deveria instalar galerias e tubulações de maior diâmetro para o escoamento das águas pluviais. Ele exemplifica com a rua Mathias José Martins (onde está localizado o estádio João Marcatto), que costuma represar a água da chuva e inundar as casas.
Outro local sujeito a alagamentos é a rua Vitória Chiodini Spezia “que sempre inunda porque o córrego não dá sustentação, e os moradores improvisaram abrindo uma fenda no muro”. A mesma situação acontece em alguns trechos da rua João Januário Ayroso, a principal via do bairro, que durante as enxurradas fica alagada e exige que os motoristas contornem a cidade.
Alex Krehnke também mostra a esquina entre as ruas Horácio Pradi e Osni Antônio Pradi, onde a comunidade reivindica a instalação de uma unidade de saúde. Outra reivindicação é de uma nova área de lazer, já que a anterior, localizada na rua Valdomiro Schmidt, foi retomada pelo proprietário.
Inundações incomodam morador

- Ricardo Kamer tem que erguer os móveis quando chove (Foto: Eduardo Montecino)
O autônomo Ricardo Kammer, 27 anos, morador da rua Mathias José Martins, bem ao lado do Grêmio Esportivo Juventus, reclama de um problema recorrente: toda a vez que chove um pouco mais, a água invade o pátio e atinge a casa, os móveis, e deixa marcas nas paredes. Em alguns locais, o reboco das paredes está descascando. “Foi feito loteamento aqui perto e a água desce para cá. Já trocamos móveis e toda vez que chove, temos de levantar tudo”, conta. Ele garante que já tentou marcar audiência na Prefeitura há cerca de 40 dias, mas até agora não obteve resposta.
“O pessoal de obras vem e raspa a lama da rua, limpa e só”, reclama. “Tivemos que instalar uma cozinha aérea por causa dos alagamentos. Os outros móveis estragaram. Já queimou freezer, geladeira e eletrônicos, por causa da umidade”, desabafa Ricardo Kammer.
Prefeitura projeta e executa obras

- Comunidade reivindica posto de saúde na esquina entre a Horácio Pradi e Osni Pradi (Foto: Eduardo Montecino)
A diretora de Atenção Básica à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Eunice Andreatta, revela que apesar de ainda não estar definida a implantação de um posto de saúde no Jaraguá Esquerdo, garante que a administração estuda a possibilidade, possivelmente para o primeiro semestre de 2012. “Estamos vendo um terreno da Prefeitura que fique entre o Acaraí e o Juventus”, afirma Eunice. Em princípio, a sugestão da comunidade, de que fosse construído entre as ruas Horácio Pradi e Osni Pradi foi descartada. Ainda de acordo com Eunice Andreatta, por enquanto os moradores podem consultar no posto do Caic, na unidade perto da Escola Jonas Alves e em breve onde hoje funciona o Procad.
O secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Odimir Lescowicz, garante que o órgão estuda a possibilidade de colocação de tubos de maior diâmetro na rua Mathias José Martins. Já na rua Vitória Chiodini Spezia, onde os moradores abriram fenda em muro para minimizar os alagamentos, a intenção é buscar uma solução conjunta com o proprietário do terreno do córrego. “Vamos procurar fazer uma abertura no meio-fio, para dar mais vazão à água, e possivelmente colocar uma grade”, revela Odimir. Outra informação é que a pavimentação asfáltica da rua Osnir Antônio Pradi já está com ordem de serviço assinada, e deve começar no início de 2012.

- Rua João Januário Ayroso recebe grande fluxo de veículos por ligar a outros bairros (Foto: Eduardo Montecino)
Habitantes
2000 – 4.203
2007 – 4.198
2010 – 5.346
Principais características
- Área de 2.256.452,31 m2
- 485 empreendimentos
- Faz ligação com Vila Lenzi, Nova Brasília, São Luís e Centro
- Uma escola - Municipal Cristina Marcatto
- Uma creche - Centro de Educação Infantil Jones Chiodini
- Dois clubes: Grêmio Esportivo Juventus e Sociedade de Desportos Acaraí
- 100% de água tratada
Principais reivindicações
- Solução para alagamentos nas ruas Mathias José Martins, Vitória Spezia e João Januário Ayroso
- Posto de saúde
- Área de lazer
Projetos e obras
- Asfalto na rua Osni Antônio Pradi
- Projeto de contenção de encostas nas ruas Luiz Chiodini, Luiz Bortolini e Leopoldo Diel
- Posto de saúde (em estudos)
- Área de Lazer
Curiosidades históricas

- Rua Francisco Winter, palco da tragédia das enchentes de 2008, quando morreram três pessoas (Foto: Eduardo Montecino)
A margem esquerda do rio Jaraguá deu a arrancada do povoamento do bairro, que antes do processo de industrialização e de ser um dos locais de maior fluxo de veículos, através da rua João Januário Ayroso, já foi rural. A localidade fazia parte das terras dotais da Princesa Isabel, e por muito tempo se caracterizava pelas agropecuária e hortigranjeira.
Segundo o historiador Ademir Pfiffer, do Arquivo Histórico Municipal Eugênio Victor Schmöckel, a ligação da área rural, que hoje corresponde ao Jaraguá Esquerdo, na época chamada de “Jaraguá Fundos”, não existia antes dos anos de 1930. Foi a época do “Distrito Jaraguá”, antes da emancipação de Joinville. A estrada criada para ligar ao Centro da cidade corresponde hoje à rua João Januário Ayroso, e o nome é em homenagem a um professor da Barra do Rio Cerro.
O primeiro professor que o bairro teve foi Antônio Manoel Martins, entre o final da década de 1920 e início da década de 1930, de uma escola estadual que hoje corresponde à Escola Municipal Renato Pradi. “Ao longo da década de 1920 se passou a ter a presença marcante dos descendentes de italianos que vieram do Vale do Itajaí”, revela Ademir. Dentre essas famílias estão os Bortolini, Pradi e Chiodini, que se destacaram como comerciantes.
O bairro também foi palco de acontecimentos históricos, como o surgimento de adeptos do Movimento Integralista Brasileiro na região, os chamados “camisas verdes”, que na década de 1930 elegeu o primeiro prefeito da cidade, Leopoldo Augusto Gehring. Foi nessa mesma década que o bairro teve o privilégio de ver sobrevoar o dirigível “Zeppelin”.
Outra curiosidade, é que “há alguns meses, morreu no bairro uma das mulheres. Angelina Junckes, com 101 anos”, observa Ademir Pfiffer.
