
- Ajardinamento e decoração natalina no trevo da José Theodoro Ribeiro (Foto: Eduardo Montecino)
O bairro mais populoso da cidade começou a ser povoado ao final do sonho de Emílio Carlos Jourdan, ao implantar a “Colônia Jaraguá”, quando parte de seus trabalhadores rumou para lá. Com área de 3.182.367,65 metros quadrados, faz ligação com a Vila Nova e o Centro e é um dos bairros de Jaraguá do Sul que passa por melhorias em sua infraestrutura urbana.
Os moradores mantêm expectativa para o cumprimento do cronograma de obras pontuais programadas pela administração, como a implantação de galerias para o escoamento das águas pluviais e pavimentação, asfáltica e de lajotas. O último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que em 2010 a Ilha da Figueira contava 10.009 habitantes. Dados do setor de Protocolo da Prefeitura indicam que existem 763 empreendimentos registrados.
Para os moradores, apesar de ser um bairro com boa estrutura em comércio e serviços, ainda há realidades distintas que convivem no mesmo espaço. Uma das conquistas da comunidade é a nova ponte, que faz ligação com o bairro Centenário e passou a ajudar no fluxo contínuo de veículos, desafogando a principal via do bairro, José Theodoro Ribeiro.
Associação luta por sede, área de lazer e asfalto
O presidente da Associação de Moradores do Bairro Ilha da Figueira, Mauro de Paula, 35 anos, está em campanha junto à administração municipal para que a área de lazer, que totaliza 1.350 metros quadrados, próximo à Real Vidros, seja viabilizada. “Lutamos para termos essa sede há três anos”, ressalta. O projeto, encaminhado à Secretaria Municipal de Administração, já foi aprovado pelo ComCidade (Conselho Municipal da Cidade) em 2010. A comunidade aguarda que a Prefeitura providencie o parquinho infantil, o campo de futebol e o alambrado.

- Local destinado à área de lazer está à espera de obras de terraplanagem, tubulação, parquinho e alambrado (Foto: Eduardo Montecino)
O projeto também prevê outros itens, como a sede da Associação de Moradores, dois vestiários, uma choupana com churrasqueira, rádio comunitária e cancha de bocha. Outra reivindicação é a colocação de galerias de 3 metros por 1,5 metros de diâmetro, no riacho que corre na rua Felipe Olímpio Junckes. Após a instalação, a rua também deve receber asfalto. “Quando chove, chega água até aqui em cima”, aponta Mauro. A rua também tem projeto que ligaria com a Antônio Pedri.
Uma terceira preocupação é com o loteamento Schmidt, em área de 15 mil metros quadrados, com acesso a partir da rua Antônio Bernardo Schmidt. Lá estão mais de 20 famílias, do lado direito da rua, que ainda aguardam ligação de energia elétrica. “Dentro do bairro, temos uns 10 loteamentos irregulares”, atesta.
“Uma das grandes conquistas foi a ponte, que beneficiou muito, principalmente os empresários do bairro”, opina. Dentre outros pontos positivos, cita o asfaltamento de 10 ruas e a decoração natalina e ajardinamento, no trevo da rua José Theodoro Ribeiro, próximo a um posto de combustíveis. “Perto do Homago (Escola Holando Marcelino Gonçalves) é totalmente diferente, urbanizado. São ‘duas Figueiras’ que fazem parte do mesmo bairro”.
Moradoras apontam mau cheiro e desassoreamento
A dona de casa Edite Diedrich, 57, moradora há sete anos no número 475 da rua Nossa Senhora Aparecida, na esquina com a Gabriel Oeschler, se ressente com o esgoto a céu aberto e com o terreno baldio ao lado da casa, propício para a proliferação de insetos, cobras, sapos e roedores. “Esse dias a minha cachorra quase morreu por causa de um sapo envenenado”, conta. Desaninada, diz que há três anos tenta vender a propriedade por causa desses problemas. “Foi feito um abaixo-assinado para asfalto e tubulação, mas até agora, nada”, desabafa Edite.
Já a dona de casa Roseli Gonçalves, 49, residente no número 100 da rua Lilia Ayroso Oeschler, há 30 anos no local, reclama que as enxurradas carregaram parte do terreno. A Prefeitura providenciou a colocação de tubulação, saibro, pedra e areia para conter a ação das águas. “Quando vim para cá, o rio era bem longe. Precisamos concreto para calçar os canos, senão a água leva tudo”, alerta. Por causa das características da área, ela e os demais moradores esperam por pavimentação de lajota.
Prefeitura segue com cronograma de obras

- Loteamento Schmidt ainda aguarda regularização junto à Prefeitura (Foto: Eduardo Montecino)
já foram instaladas 30 galerias de 3metros por 1 metro na José Theodoro
Ribeiro, e devem ser instaladas mais “mais 15 galerias de 2 metros x1,50 metro na rua Mathias Ruysan e 24 galerias de 3 metros x 2 metros na rua Olímpio Junkes.
O cronograma de pavimentação contempla as ruas Padre Donato Wiermes, Antonio Kochella e Rosa Ribeiro Kochella. Já estão sendo pavimentadas as vias Santa Clara, Santa Julia, Joao Bachmann, Eugenio Kaiser, Antonio Pedri e Arturo Giovanella. As ruas que estão com ordem de serviço para pavimentação são Assis Chateaubriand, Angelo Julio Baruffi, Bertoldo Drews e 917 (sem nome).
Já foram concluídas a colocação de 80 tubos de 0,40 na rua Rinaldo Bogo, e executado o rebaixamento (preparação) para pavimentação com lajotas, nas ruas Ernesto Bruns e Martim Kochella. Recentemente foi realizado o recapeamento asfáltico em um trecho de 1.567 metros da rua José Theodoro Ribeiro.
Vale lembrar que a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano implantou nesta gestão uma equipe de cinco pessoas para tratar dos cerca de 100 loteamentos irregulares, dos quais 25 estão sendo trabalhados.
Habitantes
- 2000 – 7.732
- 2007 – 8.654
- 2010 – 10.009
Principais características
- Área de 3.182.367,65 m2
- 763 empreendimentos
- Mais populoso da cidade
- Localizado entre o Centro e a Vila Nova
- Posto de saúde com ESF
- 100% cobertura da água tratada
- Três escolas: Holando Marcellino Gonçalves (Homago), Waldemar Schmitz e Lilia Ayroso Oeschler
Principais reivindicações
- Infraestrutura à área de lazer
- Legalização dos loteamentos irregulares
- Galerias e asfalto na rua Felipe Junckes
- Limpeza de terreno na rua N. Sra. Aparecida
- Pavimentação da rua Gabriel Oeschler
- Pavimentação de lajota na rua Lilia Oeschler
- Asfaltamento das ruas Eugênio Kaiser,
- Antonio Pedri, Santa Clara, Arturo Giovanella, Santa Julia, João Bachmann e Ângelo Baruffi
Obras e projetos em andamento
- Ponte de ligação com o Centenário
- Galerias na José Theodoro Ribeiro,
- Olímpio Junckes e Mathias Ruysam
- Asfaltamento das ruas Eugênio Kaiser,
- Antonio Pedri, Santa Clara,
- Arturo Giovanella, Santa Julia, João Bachmann e Ângelo Baruffi
- Contenção de três encostas
- Contratação de empresa para estabilizar encostas
Curiosidades históricas
O bairro Ilha da Figueira está situado na margem direita do rio Jaraguá, abaixo da confluência com o rio Itapocu. Consta nos registros históricos que os primeiros moradores foram alguns dos trabalhadores de Emílio Carlos Jourdan, na então “Colônia Jaraguá”, que para lá se mudaram após o fechamento do Estabelecimento Jaraguá, em 1888.
Os pioneiros da localidade eram imigrantes europeus e afrodescendentes. Se mudaram para lá porque as terras de Jourdan ainda pertenciam à princesa Isabel. Já as terras à margem direita do rio Jaraguá eram estatais, fator que permitiu mais segurança aos pioneiros da Ilha da Figueira.
O nome “Ilha da Figueira” vem do nome dado a uma ilha existente no rio Itapocu, que segundo relatos abrigava uma grande figueira, localizada próxima onde hoje está o Bailão do Chicão. Com o assoreamento de um braço do rio Itapocu, hoje nem a ilha, nem a figueira existem mais.
A extensão do bairro é grande, com área de 3.182.367,65 metros quadrados. No início era ainda maior, porque englobava o Águas Claras e Morro da Boa Vista, hoje bairros independentes. Para o Morro do Boa Vista rumaram principalmente os negros, e por essa razão a localidade passou a ser chamada, pejorativamente, de “Morro da África”.
