
- Ludgero Tepassé foi o primeiro prefeito eleito do município. (Foto: Marcele Gouche)
Em 47 anos de história, o município passou por crescimento na população e no desenvolvimento, com o surgimento de indústrias. Aos 87 anos, o schroedense Ludgero Tepasse acompanhou toda a evolução do município. Tepasse se considera um “político de berço”, já que seu pai também era político. Candidato da UDN (União Democrática Nacional), Tepasse se tornou em 1965 o primeiro prefeito eleito de Schroeder, tendo vencido as eleições com 65% dos votos, contra Oswaldo Steilein.
Tepasse conta que, quando a cidade se emancipou, todas as ruas eram de barro, e dois funcionários contratados pela Prefeitura andavam a pé e de bicicleta tapando os buracos que existiam com pás. O prefeito ganhava mensalmente 270 cruzeiros, a moeda da época. “Assumir como prefeito foi uma emoção e ao mesmo tempo uma dor de cabeça, pois havia muito para se fazer. A Prefeitura nem tinha um livro-caixa. Éramos eu e mais dois funcionários. Eu era quem fazia toda a contabilidade”, afirma.
Entre os principais feitos e orgulhos, estão a criação do ensino ginasial para a cidade, implantado em 1968, e a construção da ponte que liga Schroeder a Jaraguá do Sul (depois que uma enchente em 1968 destruiu a ponte baixa), concluída em 1976. Outro legado deixado por Tepasse foi a criação da bandeira e do brasão da cidade, no dia 3 de outubro de 1975.
“Hoje, Schroeder está muito diferente e tem trabalho de sobra para a população”, afirma. Em 1988, a Câmara de Vereadores de Schroeder concedeu a Ludgero Tepasse o título de cidadão honorário da cidade.
A emancipação
O território de Schroeder fazia parte do dote da Princesa Dona Francisca, irmã de Dom Pedro II, que se casou com o Príncipe de Joinville, François Ferdinand D’Orléans. A origem do nome “Schroeder” é em homenagem a Christian Mathias Schröeder (natural de Hamburgo), que recebeu do Príncipe as terras para serem colonizadas.
A colonização do local começou em 1901, quando descendentes germânicos começaram a povoar as imediações de Schroeder I. Em 1919, vieram os colonizadores italianos e as atividades foram se diversificando, com surgimento de olarias e compra e venda de produtos agropecuários. No final da década de 50, mais uma escola havia sido criada pela Igreja Luterana e a produção agrícola crescia intensamente. Por isso, a população achava que poderia viver politicamente emancipada. No dia 31 de julho de 1959, foi criado o distrito de Schroeder, sendo Paulino João de Bem o prefeito de Guaramirim, município ao qual pertencia na época. Não satisfeito, o povo iniciou o movimento da independência e no dia 4 de junho de 1964 foi criado o município de Schroeder, através de lei assinada pelo então presidente da Assembleia Legislativa, Ivo Silveira. A instalação do município aconteceu no dia 3 de outubro de 1964 (pelo então governador Celso Ramos), data em que se comemora o aniversário da cidade. O prefeito Paulo Roberto Gneipel foi o primeiro a assumir, nomeado pelo governador. Ele ficou no cargo até 14 de novembro de 1965, quando Ludgero Tepasse assumiu como prefeito.

- Felipe Voigt, atual prefeito, fala dos desafios da administração. (Foto: Marcele Gouche)
O desafio de administrar
Schroeder completa hoje, 47 anos de emancipação política. Confira entrevista com o prefeito Felipe Voigt, quais são os planos da administração municipal para o futuro da cidade que teve o maior aumento populacional da região nos últimos dez anos.
O Correio do Povo: Quais são os principais desafios desta administração?
Felipe Voigt: Todas as áreas têm desafios, inclusive questões que saem do nosso alcance, como licenças ambientais, segurança pública, de órgãos que não são do município. Com o crescimento da cidade nos últimos anos, que aumentou quase 50% da população, o resultado foi 100% a mais de alunos na rede municipal, o que obrigou a construção e ampliação de escolas. No saneamento básico é preciso recuperar o sistema e implantar o esgoto.
É um desafio muito grande, por isso focamos em todas as áreas, na agricultura, no saneamento básico, na educação e saúde, e na parte administrativa principalmente.
OCP: Quais têm sido as medidas da Prefeitura para suportar esse crescimento?
FV: Esse é um desafio diário. Em 2005, quando eu assumi, tínhamos 11 mil habitantes, hoje temos praticamente 16 mil. Havia 897 alunos na rede municipal e agora 1.805. Creche só tinha uma. Agora estamos indo para a terceira, com quase 300 crianças, mas há 198 mães grávidas que já esperam por vagas. É preciso jogo de cintura, articular muito bem politicamente para ter forças para conduzir o processo. A bandeira mais forte da administração é a Escola Técnica, que tem o senhor Werner Voigt como parceiro que aceitou o desafio junto com a gente. A escola visa transformar a mão-de-obra do município, para atrair mais empresas. Outra prioridade é o planejamento de ruas e da avenida dos Imigrantes (na entrada de Schroeder), para expandir o trânsito, que hoje já tem engarrafamento na rua principal.
OCP: E quanto à construção do novo bloco da Escola Técnica, já existe a demanda devido ao crescimento populacional?
FV: Existe sim o planejamento em longo prazo e a demanda. A previsão é que em 2012 abra o curso de mecânica de automóveis, que vai centralizar a atividade na região. Ali vai começar uma nova Schroeder, vamos ter uma cidade que não seja tanto um “dormitório” de Jaraguá do Sul ou Guaramirim. Junto com a associação comercial, vemos a demanda dos empresários para novos cursos. Vamos ter doação de carros novos de fábricas para prática de desmanche e conserto. Estamos negociando com o Senai para fazer cursos de capacitação para pedreiros e carpinteiros também.
OCP: Quanto à expansão da rede elétrica do município? As solicitações à Celesc são emergenciais ou por investimento?
FV: Se quisermos atrair empresas, temos que estar preparados. Nossa usina do Bracinho já não abastece mais o que Schroeder precisa, por isso que brigamos por essa questão.
OCP: Em relação ao transporte público, o edital para uma concessão própria para a cidade vai sair?
FV: Contratamos uma empresa para fazer um levantamento de quais linhas o município precisaria ter. Fizemos audiências públicas, debatendo junto à comunidade e a Câmara de Vereadores. Agora o edital de licitação está em processo de formulação. Há 17 anos o município debate o assunto na justiça, pois queremos que Schroeder tenha um transporte público legalizado. O transporte hoje é feito pela Canarinho por linhas intermunicipais, mas eles não poderiam passar nas áreas e buscar essas pessoas. Por outro lado, tem que ser feito para não deixar a população sem o atendimento. Junto com a licitação, o projeto tem também um terminal rodoviário.
OCP: Quanto à indústria, o que Schroeder tem para oferecer para empresas que querem se instalar na cidade e as que já estão aqui?
FV: Além das empresas de fora, as próprias indústrias da cidade cresceram muito. No município, falta mão-de-obra qualificada. Há muitos moradores que trabalham há anos em empresas de fora e não vão deixar o emprego. Há poucos anos, comprava-se um lote por R$ 15 ou 20 mil em Schroeder e trabalhava-se nas cidades vizinhas. A compra de terrenos já ficou mais restrita e a invasão desordenada já não ocorre mais.
Há empresas que vieram para a cidade, mas não tiveram sucesso por falta de mão-de-obra. Na minha visão, a escola técnica é uma solução. Por isso, alinhamos com os empresários a criação de cursos que foquem na demanda da cidade. Um problema é a questão ambiental. Schroeder tem muitos córregos e matas, por isso a dificuldade de instalação de mais empresas. Seria bom fazer uma área industrial, mas também não queremos indústrias poluidoras. Outro fator que dificulta é a distância da cidade com a BR.
OCP: Quanto ao turismo, Schroeder ainda não conta com uma rede hoteleira.
FV: Falta o acordar dos investidores, a cidade tem muitas riquezas e uma grande receita para ser explorada. Espera-se muito do poder público, mas é preciso que alguém aposte e comece a investir. É uma das fontes que a cidade tem explorado pouco, mas tem um potencial enorme. A Secretaria de Turismo tem feito o que está ao alcance para promover a imagem da cidade, para atrair turistas e investidores.
OCP: Há alguns anos, a economia da cidade era baseada na agricultura, mas o cenário vem mudando com o crescimento dos setores da indústria e de serviços. Como está o panorama da economia hoje?
FV: A agricultura realmente perdeu peso. Ela representa entre 20 e 25% da economia. A indústria ocupa 50% e serviço 25%.
OCP: E qual é o planejamento para fortalecer a agricultura familiar?
FV: Também sou agricultor, da roça, com muito orgulho. Por isso, criamos a Secretaria da Agricultura, que conta com engenheiros agrônomos e veterinários. Na Casa do Agricultor, o pequeno produtor pode expor e vender seu produto. Trouxemos a cooperativa de crédito, que hoje tem 1.300 associados e apoia as pequenas propriedades. A Prefeitura também compra cerca de 30% da produção da agricultura para a merenda escolar. É preciso que os agricultores se capacitem e nós oferecemos isso também.
OCP: Como o senhor vê a Schroeder do futuro e o que existe de melhor no município?
FV: Eu vejo a cidade com um potencial muito bom. Com 47 anos de emancipação política, é uma cidade jovem. Gostaria que crescesse sem se deixar desordenar. Mais do que explorar e encher a cidade de indústrias, que permaneça uma boa cidade para se viver.
Sou suspeito a falar, mas é uma cidade em que a população tem respeito e qualidade de vida boa. Mesmo com o crescimento, o município tem uma ótima segurança pública e tranqüilidade.
