A trilogia dos irmãos Voigt

Mário, Lino e Francisco Voigt, unidos entre si desde a concepção e diferenciados pela rota enigmática da vida.

José Augusto Caglioni
Publicado 06/05/2010 às 14:46:16 - Atualizado em 07/05/2010 às 18:07:51

Mário, Lino e Francisco Voigt, unidos entre si desde a concepção e diferenciados pela rota enigmática da vida. O nascimento dos filhos de Francisco Alberto Voigt e Edwig Linzmayer Voigt em 2 de fevereiro de 1939 foi motivo de alegria e preocupação não apenas para os familiares, mas de toda a comunidade. Lino foi o primeiro a nascer, depois o Mário e por último o Francisco (Chico). Lino e Mário, gêmeos idênticos, nasceram fortes e saudáveis. Chico veio ao mundo debilitado e magrinho, era motivo de preocupação. Foi batizado às pressas. Tempos depois, Chico tornou-se o mais alto e o mais forte entre os três irmãos.

Infância e Adolescência

Mário, Lino e Chico frequentaram o jardim de infância no Colégio Divina Providência. O primário e o ginásio, no Colégio Marista São Luís. Lino e Mário cursaram neste colégio também o curso de Técnico em Contabilidade. Simultaneamente os três passaram a trabalhar: Chico, apaixonado pelos automóveis, iniciou o aprendizado de mecânico, na oficina de seu irmão Wigand. Lino e Mário foram integrados ao quadro de funcionários do Banco Inco.

No Mundo dos Esportes

O pai dos meninos, apaixonado por futebol, construiu um campinho no quintal de casa, cujas medidas eram 30x20. O local tornou-se ponto de encontro de toda a garotada da vizinhança. Ali, os meninos tiveram os primeiros contatos com a bola, sob o olhar orgulhoso do pai. Depois quando foram para o colégio integraram o time de futebol daquele estabelecimento de ensino. Chico canhoto e marcador implacável jogava na defesa; Mário, de estilo clássico e com grande visão de jogo, atuava no meio campo; Lino, veloz e matreiro, era atacante e artilheiro. Aos doze anos, passaram a integrar as divisões de base do Acarai. Ao dezesseis foram alçados ao time principal. Fizeram história defendendo o time rubro.

Lino – Atacante rápido e perspicaz, irrompia escaladas pela ponta direita com dribles e fintas, infiltrava-se pelo meio e finalizava com perfeição, tornando-se grande artilheiro. No inicio da carreira jogou de meia-atacante, posteriormente firmou-se na ponta direita. Disputou campeonatos regionais e estaduais pelo Acarai. Foi tri-campeão com o Botafogo da Barra do Rio Cerro. Em 1959, recusou convite do Figueirense. Em Blumenau teve uma breve passagem pelo Vasto Verde e pelo extinto Operário. Jogou futsal pelo Inco. Lino tinha um sonho: se tornar advogado e foi em busca dele. Mudou-se para Blumenau, trabalhou, estudou e tornou-se advogado criminalista. Destacou-se com atuações históricas sendo considerado um dos melhores do Estado de Santa Catarina. Durante 28 anos atuou em quatorze júris individualmente e em outros tantos em conjunto com outros causídicos. Casou com Ondina Andreatta e tem dois filhos, Laércio Murillo e Márcia. Está aposentado e de bem com a vida.

Francisco (Chico) - Ala esquerda viril, raçudo e marcador implacável. Sabia que existem momentos em que a força é mais eficaz do que a técnica, então a usava. Subia constantemente ao ataque, bom nos passes e perfeito nos cruzamentos. Foi titular da camisa número seis do Acarai durante dez anos. Integrou a seleção jaraguaense de futebol. Jogou futsal pelo Acarai. Em 1966 foi um dos fundadores do Grêmio Esportivo Juventus, jogou nesta equipe até1971. Profissionalmente, tornou-se um excelente mecânico, montou sua própria oficina e prosperou. Casou com Emília Cordeiro com quem teve quatro filhos: Francisco Júnior, Fábio, Nádia e Nanci.

Mário – Volante de armação, tinha pleno domínio de espaço e tempo. Possuía o dom da antevisão da jogada. Criativo, inteligente e dinâmico garantia o equilíbrio entre o ataque e a defesa do time do Acarai. Polivalente, em caso de necessidade jogava bem tanto na defesa quanto no ataque. Durante doze anos formou ao lado de Tião Ayroso o meio campo mais criativo e dinâmico do futebol jaraguaense. Disputou campeonatos estaduais, regionais e integrou a seleção jaraguaense de futebol. Jogou futsal pela equipe do Banco Inco. Foi um dos fundadores do GE. Juventus. Atuou nesta equipe entre os veteranos até meados dos anos 70. Profissionalmente exerceu a função de bancário e chefe de contabilidade em empresas de nossa cidade. Casou com Ivone Metzger e tiveram três filhos: Volmir, Regiane e Cássia.

Cantinho da Saudade

O homem vem à Terra para uma permanência muito curta, para um fim que ele mesmo ignora, embora, às vezes, julgue sabê-lo. O bondoso vive num mundo povoado por amigos, e foi assim que Mario e Chico viveram. Esta forma de vida é um presente sem fim. Um dia eles foram convocados para integrarem o time celestial. Partiram para sempre, mas ficarão eternamente em nossos corações, bem ali, no cantinho da saudade.  


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