
- Casa enxaimel centenária da família Schwedler é atração turística e referência nos cursos de arquitetura. (Foto: Marcele Gouche)
Intermediário entre os bairros Três Rios do Sul, Nereu Ramos, Três Rios do Norte e Amizade, o Rau já integrou a área rural do município. Mas mesmo que hoje ostente o status de integrar a área urbana de Jaraguá do Sul, ainda aguarda definições de infraestrutura. Uma das definições que está em aberto é onde será construída a ponte que fará a ligação entre o Rau e o Amizade, antiga reivindicação da comunidade. É a obra mais polêmica da cidade, tanto que continua dividindo opiniões.
O lugar é carregado de História, especialmente dos imigrantes alemães e italianos e seus descendentes. Hoje a população está bem diversificada, devido ao grande número de migrantes que vieram de outros estados, principalmente do Paraná.
O Rau já teve na produção agropecuária e na agricultura de subsistência o seu forte, mas hoje cresce em emprendimentos de todo tipo. De acordo com dados do setor de Geoprocessamento da Prefeitura de Jaraguá do Sul, são 276 empreendimentos registrados. Destas 276, 41 são de comércio varejista; 33 de empresas de consertos e restauração; 30 de construção civil e serviços auxiliares; 22 de representações comerciais; e 17 de bares, lanchonetes e similares. A lista completa está disponível no http://portal.jaraguadosul.com.br/modulos_externos/geo/contribuintesclasse.php.
Há um ano, a previsão é que o assunto relacionado à ponte já estaria resolvido, inclusive com aprovação junto à Câmara de Vereadores. Uma audiência pública chegou a ser realizada, em 6 de dezembro de 2010, mas o debate não evoluiu e a para uma solução.

- Rua Anna Müller Enke é sugerida pela administração para fazer o eixo do Amizade até Água Verde. (Foto: Marcele Gouche)
A ideia é executar a obra a partir da rua Anna Müller Enke até à Vista Alegre. Porém a polêmica continua e a decisão agora vai ficar para 2012.
Se dependesse da administração anterior, do então prefeito Moacir Bertoldi, a ponte seria erguida a partir do entroncamento da rua Prefeito José Bauer com a rua Waldemar Rau. A arrancada da construção aconteceu no início de 2008, e foi interrompida por rescisão de contrato com a construtora, orçada na época em R$ 1,6 milhão. A empresa chegou a dazer dois pilares de sustentação, que pemanecem lá, expostas ao tempo e com as ferragens à mostra.
Enquanto a polêmica não se resolve, a fluidez no trânsito continua comprometida, resultando em congestionamentos em vários pontos da cidade, especialmente entre os que ligam ao centro.
Moradores esperam por ações
O presidente da Associação de Moradores do Bairro Rau, Gilvan Jefferson Ramos da Silva, 49 anos, está utilizando as instalações utilizadas pelo Conseg (Conselho de Segurança), até então desativado. Ele garante que assumiu para mobilizar a comunidade para problemas de segurança recorrentes do bairro, como a utilização da área de lazer, tomada pelo mato, para consumo de drogas e prostituição. Sua atuação, segundo ele, teria irritado os que estão à margem da lei, o que teria motivado o vandalismo na sede da Associação de Moradores. “Jogaram uma bomba de coquetel molotov dentro de uma garrafa de cerveja aqui dentro. Foi uma justificativa maior para o novo comando a PM voltar a dar atenção para o bairro”, afirma, enquanto mostra os estragos.
Gilvan, que assumiu em 29 de agosto, presta atendimento às segundas, das 8h30 às 10h; quartas, das 13h às 15h; e sextas, das 8h30 às 10h. “Fui o único presidente que fez um plebiscito sobre o número de vereadores, para que permanecessem 11.”
A falta de definição sobre onde será construída a ponte até o Amizade está entre o que mais pesa – o impasse se sairá na rua Anna Müller Enke, para fazer o eixo entre o Amizade até o Água Verde, em direção ao Chico de Paulo. “O principal na ponte, tanto da Anna Enke como na Waldemar Rau, é fazerem um binário, por ser passagem da BR-280”. Para ele, melhor mesmo seria continuar a obra iniciada pela administração anterior.
A terceira possibilidade, observa, seria na Carlos Enke (R-964), esquina com a Prefeito José Bauer, “para os motoristas saírem direto na Roberto Ziemann, no Amizade”.
A segunda opção, pela Amélia Enhke, vai sair em curva na Campo Alegre, “mas os moradores resistem, porque acreditam que a rua não comportaria trânsito pesado”. Entende que “no momento que fizerem uma ponte aqui, em cinco anos precisaremos e outra, porque o Rau é bairro intermediário”. Dentre as principais reivindicações também estão a tubulação na Waldemar Rau e a atenção com o desmoronamento das encostas. Gilvan destaca ainda os projetos encabeçados pela entidade, como parcerias com a Católica para inclusão digital de crianças e idosos, com utilização de 12 salas; com o curso de Moda para o Clube de Mães; e estudo ambiental para reciclagem de lixo. “Gosto de morar aqui porque as pessoas se preocupam com melhorias, só falta união.”

- Líder comunitário aponta Amélia Enke até a Campo Alegre como mais uma opção de ponte. (Foto: Marcele Gouche)
Prefeitura executa e prospecta obras
O secretário municipal de Urbanismo, Aristides Panstein, confirma que a proposta a administração é levantar os pilares para construir a ponte de ligação com o bairro Amizade a partir da rua Anna Müller Enke com a Vista Alegre, pelo fato da administração considerar mais viável no local. “Para o sistema viário do município é mais viável lá. A prefeita (Cecília Konell) vai mandar um projeto de lei para votação na Câmara”, afirma Panstein. “É uma rua sem saída, e passará a ser movimentada”, complementa. A data para o envio do projeto à apreciação dos vereadores ainda está em aberto.
Outro projeto que está prestes a sair do papel, de acordo com Aristides, é o da abertura da rua Afonso Nicoluzzi. Junto com a abertura virá a pavimentação asfáltica, desde o Chico de Paulo até o bairro Estrada Nova, trecho que totaliza em torno de dois quilômetros, com saída pelos fundos de uma danceteria bastante conhecida do bairro Água Verde. O projeto de abertura da rua Afonso Nicoluzzi e a licitação para o início das obras estão previstos para serem colocados em execução no primeiro semestre de 2012.
Outra boa notícia para os moradores do bairro, amplamente divulgada no final de setembro, foi a confirmação de recursos do PAC 2 (Plano de Aceleração do Crescimento) para contratação de empresa para elaboração de projetos de estabilização de encostas, em que a rua Carla Rúbia Dross é contemplada.
“Falta banco e posto policial”, diz comerciante
O comerciante Dalto Pedro Cardoso, 49 anos, dono da Divisórias Lambritex, na rua Waldemar Rau, 630, é de Imaruí, no sul do Estado, mas vive há 21 anos no Rau. Conta que tem comércio há 15 anos. Ele defende que a ponte deve mesmo sair mesmo na Anna Müller Enke, como projeta a administração municipal: “Vai tirar metade do fluxo de trânsito daqui. O bairro é muito bom, próximo de tudo. Só falta uma agência bancária e um posto policial”.
Crescimento populacional
2000 – 3.727 habitantes
2007 – 4.545 habitantes
2010 - 5.207 habitantes
* Dados do IBGE
Principais reivindicações
Definição do local e construção da ponte
Tubulação na Waldemar Rau
Reativação do Conseg
Recuperação da área de lazer
Recuperação das encostas
Recapeamento do asfalto após as enxurradas
Obras e projetos em andamento
Projeto da ponte de ligação com o bairro Amizade
(falta definir local e aprovação dos vereadores)
Recapeamento do asfalto após as enxurradas
Abertura da rua Afonso Nicoluzzi
Tubulação na Waldemar Rau
Pavimentação desde Chico de Paulo até Estrada Nova
Projeto de estabilização de encostas, para a rua Carla Rubia Dross
Principais características
Área de 1.725.702,61 m2
276 empreendimentos
100% de água tratada
Intermediário entre Três Rios do Sul,
Amizade, Três Rios do Norte e Nereu Ramos
Um posto de saúde
Uma escola – Julius Karsten
Um centro de educação infantil – Anélia Enke Karsten
100% de água tratada
Primeira localidade com eletrificação
Patrimônio arquitetônico - casa enxaimel dos Schwedler
Curiosidades históricas
O Rau foi a localidade que recebeu, na década de 1920, a família do Hermann Purnhagen, o primeiro técnico formado em técnicas sobre concreto armado, formado na Alemanha. Em 1924, a família Purnhagen chegou ao então Distrito Jaraguá, è época município de Joinville , e trouxe também a arte da música com instrumentos de metais. Surgiu a Banda Hermann Purnhagen, mais os conhecimentos ligados à arte de bobinagem de motores elétricos. Coube à família ter a primeira residência e ranchos eletrificados na região dos Três Rios do Sul.
Já a família Rau tem o mérito de participar da história do bairro, como agentes do comércio de secos e molhados, que hoje ainda continua atuando e atendendo uma rede de clientes, através de supermercado, “com marca e rosto da gente de Jaraguá do Sul”, segundo o historiador Ademir Pfifer.
Ao lado dos Rau, bem na entrada de Três Rio do Sul, fica a casa enxaimel da educadora e artista plástica, Arlete Schwedler. Na rua Servidão mora Dona Marília Matias de Carvalho Gonçalves, uma senhora que sabe ricas histórias e memórias de 35 anos de vida do seu estimado pai, Porfyro Matias de Carvalho, que foi foguista nos anos 30 e 40, na Rede Viação Paraná Santa Catarina, e depois maquinista da Maria Fumaça e das máquinas à diesel, até se aposentar, na década de 60.
