
- Tubulação é insuficiente para conter as águas das chuvas. (Foto: Eduardo Montecino)
São pouco mais de cinco anos de “vida própria”, como um dos 38 bairros de Jaraguá do Sul, encravado entre os bairros Boa Vista e Ilha da Figueira. Antes, integrava área rural da Ilha da Figueira, segundo classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Fica na parte alta da cidade, e nos primórdios da colonização, atraía caçadores pela fartura em recursos naturais. E foi justamente pela pureza das águas que passou a ser chamado de “Águas Claras”. A maioria dos moradores é composta por operários.
Hoje o lugar continua repleto de verde, mas cresceu e aguarda soluções de infraestrutura, como pavimentação de concreto e asfáltica, extensão da rede de eletricidade, escoamento da água, esgoto sanitário, mais horários no transporte público e regularização dos loteamentos Vicente Markiewicz e Ernesto Vasel. Outra reivindicação é que sejam dados nomes à rua 1192, de Alzira Vasel, e RI-58, de Ari Schultz.
Essas reivindicações foram entregues em agosto pela Associação de Moradores do Bairro Águas Claras ao poder público. A Prefeitura reconhece os problemas, mas diz que muito já está previsto para ser implementado, como a concretagem de ruas e regularização de loteamentos, que dispõe de equipe montada especialmente para promover a legalização em todos os bairros. Em função das enxurradas, o cronograma de obras da administração municipal sofreu atrasos.
O presidente da Associação de Moradores do Bairro Águas Claras, Luís Carlos Markiewicz, 45 anos, nascido na comunidade, confirma que é aguardada a concretagem da rua 1192 para 2011. Também esperam escoamento da água, com tubulações mais largas nas duas travessias da rua Águas Claras (466), e asfalto. “Quando vem trovoada, a água do ribeirão não tem por onde fluir, desde as enxurradas de janeiro”. A maioria das tubulações é de 40 milímetros e 60 milímetros de diâmetro.
Outra necessidade é a de ampliar os horários à noite e nos fins de semana do transporte público, pelo “Rapidinho”, e maior cobertura de iluminação. “Os postes cortam o mato em linha reta, colocados há 30 anos”, reclama. Colocação de placa indicativa de que o local de coleta de lixo mudou de lugar, também integra a lista de pedidos.

- Dona de casa Juciane dos Santos espera pavimentação para ter melhor qualidade de vida. (Foto: Eduardo Montecino)
Moradores relatam dificuldades
A dona de casa Juciane Neri dos Santos, 36 anos, mora na parte mais alta do Águas Claras. Conta que vive há 21 anos no bairro e tem seis filhos. Aponta a precariedade de horários e cobertura disponibilizadas pelo transporte coletivo, feito pelo “Rapidinho”. Juciane ressalta que o microônibus só sobe até a igreja Nossa Senhora do Caravaggio. A situação fica ainda mais complicada nos dias de muito calor, com a poeira, e de chuvas fortes, por causa da lama. A pavimentação de concreto quando vier, será bem-vinda. “A gente espera que venha até o ano que vem”.
O estudante Emerson Ziegler, 15 anos, que estuda na Escola Abdon Batista, mora com a família há dois meses em uma das laterais da rua 1192. Ele revela que o maior problema quando chove muito é que as ruas se tornam intransitáveis e os motoristas não conseguem subir até as casas. A falta de iluminação e a falta de ônibus, também. “Se tivesse o concreto (pavimentação), seria bem melhor”, resume o estudante.
Curiosidades históricas
A origem do nome “Águas Claras” é controversa, de acordo com o historiador Ademir Pfiffer, que atua no Arquivo Histórico Municipal Eugênio Victor Schmöckel. Segundo ele, “está associado a um caboclo barravelhense, ou ‘barravelhiano’, como se costuma dizer popularmente, Manoel Claras, no final do século 19, de uma das aldeias nômades dos índios Botucudos”.
Ademir conta que a área era bastante procurada para caçadas, farta na oferta de frutas e flores silvestres, por causa dos ribeirões. “Era uma região rica em recursos naturais, com água cristalina e frutas muito apreciadas, como tangerina, pitanga e banana”. Para ele, com o tempo, a história de Manoel Claras ficou esquecida e prevaleceu Águas Claras, por ter águas límpidas, no tempo em que a poluição dos rios era algo inexistente na região.
Também no século passado, atesta Ademir, “houve uma chacina de índios, e uma das índias foi salva e criada por um alemão”. Ainda de acordo com o historiador, da miscigenação “entre esse alemão, de família tradicional de Jaraguá do Sul, e essa índia, nasceram belos descendentes”.

- Rua 1192 aguarda pavimentação de concreto. (Foto: Eduardo Montecino)
Prefeitura faz levantamento e programa as melhorias
O diretor dos Serviços de Asfalto, Tubulação e Calçamento, ligado à Secretaria de Obras e Serviços Públicos, Alcides Donat, confirma que existe projeto para concretar a rua 1192, mas garante que não há prazo definido para a execução. “Temos definido a pavimentação e concreto em 500 metros. Depende de abertura de licitação para executar”, enfatiza. Em entrevista concedida à imprensa na segunda-feira, a prefeita Cecília Konell anunciou a pavimentação de 41 ruas, o bairro deve ser um dos beneficiados. Donat complementa que naquela área ocorrem sucessivas erosões, que arrancam o macadame que periodicamente é colocado nas vias.
O secretário de Obras e Serviços Públicos, Odimir Lescowicz, confirma. “O que pode ser feito, é providenciado, como tubulação e colocação de macadame. O problema são essas chuvas”. Segundo ele, “lá é tudo irregular, e aí é muito complicado trabalhar, porque as ruas não têm largura suficiente”.
Já o secretário municipal de Planejamento, Aristides Panstein, reforça que muitas das reivindicações da comunidade esbarram no fato de que há loteamentos irregulares. O fato de não serem legalizados, observa, faz com que os terrenos não sigam especificações de metragem e demais características que justifiquem grandes investimentos. “Estamos trabalhando no levantamento topográfico de mais de 25 loteamentos. Temos mais de 100 irregulares em Jaraguá o Sul”, anuncia.
Panstein assegura que nos últimos 15 anos foram aprovados apenas de 12 a 15 loteamentos. “Dos 25 loteamentos que trabalhamos, 10 já estão praticamente regularizados”, afirma o secretário. Ainda de acordo com ele, a atual administração montou uma equipe de cinco servidores para atender exclusivamente as legalizações de loteamentos.
Crescimento populacional
2010 – 756
2007 – 653
2000 - * Integrava área rural na região da Ilha da Figueira
Dados do IBGE
Principais características
Área de morros e arborização
Não tem empreendimentos registrados
Abriga uma das captações do Samae
100% de cobertura de água tratada
Principais reivindicações
Asfalto na rua Águas Claras (466) e nas RI-58 e RI-59
Pavimentação de concreto na rua 1192
Ampliação do escoamento de água nas duas travessias da rua Águas Claras
Regularização dos loteamentos Vicente Markiewicz e Ernesto Vasel
Nomear a rua 1192 de “Alzira Vasel” e RI-58 de “Ari Schultz
Melhorias iniciadas e projetos da Prefeitura
Macadamização de pontos críticos
Levantamento topográfico dos loteamentos irregulares Vicente Markiewicz e Ernesto Vasel
Desobstrução de vias alagadas
Concretagem da rua1192 (prevista para este ano)
