Greve na educação pode estar perto do fim em Santa Catarina

Governo afirma que fez última proposta. Professores decidem hoje se aceitam ou não.

Bruna Borgheti
Publicado 06/07/2011 às 09:09:17 - Atualizado em 06/07/2011 às 09:23:59

Se forem consideradas apenas as assembleias regionais realizadas até o início da tarde de ontem, a greve pode estar com os dias contados – de 31 sindicatos regionais da categoria, oito declararam que são a favor da suspensão da paralisação, enquanto apenas quatro afirmaram que apoiam a continuidade.

Entre as quatro últimas está o Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação) de Jaraguá do Sul – que só deve se desmobilizar se essa for a escolha da maioria na assembleia estadual, que acontece hoje, às 14h, na Passarela do Samba Nego Quirido, em Florianópolis. “Tínhamos 90 pessoas na assembleia e apenas uma quis retornar às aulas. As demais estão condicionadas à resposta da assembleia estadual. O que a maioria decidir, acatamos”, explica a coordenadora do Sinte regional, Mislene Pickcius.

No domingo, o governador Raimundo Colombo apresentou o que afirma ser a “última proposta”: recompor parte dos valores da regência de classe este ano, com a recomposição total a partir de janeiro de 2012. Assim, os professores receberiam, além do salário-base mínimo de R$ 1.187, um aumento na regência de classe de 25% para 30% para professores do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, e de 17% para 20% para os docentes do 6º ao 9º ano e Ensino Médio até dezembro de 2011. A partir de janeiro, os valores voltariam a ser os antigos – de 40% e 25%, respectivamente.

Segundo Mislene, o problema atual é que o plano de carreira continuaria prejudicado. “Aumentou o piso, mas isso pouco adiantou para quem já ganhava mais. O governo diz que vai estudar o plano de carreira, mas essas promessas políticas sempre nos deixam apreensivos”, afirma. De Jaraguá do Sul, XXX professores devem ir à assembleia estadual na tarde de hoje.

Alunos não querem mais ficar em casa

Hoje, completam-se 50 dias da greve. E mesmo aqueles que apoiavam a causa no início já estão bastante preocupados. Paola Maiara Dalpiaz, uma das estudantes a organizar uma mobilização no Colégio Abdon Batista, acha que a greve deveria ter acabado há muito tempo. “Conversamos com professores por e-mail, achamos que logo acaba. Torcemos para dar certo, porque tentamos estudar em casa mas é muito difícil sem ter a base dos professores. Imagina então para quem está no terceirão”, reflete a aula no 2º ano do Ensino Médio.


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