Greve: aulas parciais em 24 escolas do Vale do Itapocu

Mesmo com a ameaça de que grevistas serão substituídos, nem todos os professores voltaram para as salas.

Bruna Borgheti
Publicado 12/07/2011 às 07:00:00 - Atualizado em 12/07/2011 às 07:45:42
No Homago, aulas voltaram ao ritmo normal (Foto: Eduardo Montecino) 

Levantamento da SDR (Secretaria de Desenvolvimento Regional) de Jaraguá do Sul divulgou, na tarde de ontem, que 125 professores de 24 escolas continuam em greve, cerca de 11% da categoria. Hoje, o Vale do Itapocu conta com 1.117 educadores em 32 instituições estaduais de ensino. Já o Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação) afirma que 140 educadores da região estão paralisados.

De acordo com a gerente regional de Educação, Lorita Karsten, a escola Professor José Duarte Magalhães, na Barra do Rio Cerro, é que tem mais professores paralisados: 16, de um total de 43. E, mesmo com o anúncio do governo de que os grevistas deverão ser substituídos por ACTs (Admitidos em Caráter Temporário), ainda é possível perceber os contrastes da paralisação que já dura 56 dias: enquanto em algumas escolas as aulas já voltaram ao normal, em outras boa parte dos alunos não compareceu.

Exemplo disso é a Escola de Educação Básica Holando Marcellino Gonçalves, conhecida como Homago, na Ilha da Figueira. Segundo a assessora da direção, Maristela Folmann, 100% dos estudantes e professores compareceram às aulas ontem. De acordo com ela, 25 educadores haviam aderido ao movimento e os sete que continuaram trabalhando se revezaram em horários especiais.

“Era a alternativa que tínhamos para não perder tanto conteúdo. Tentávamos fazer o máximo de aulas por dia e algumas turmas tinham entre três e cinco disciplinas, dependendo da programação”, explica.

A aluna do segundo ano do Ensino Médio, Bárbara Leone Silva, está preocupada com a reposição do conteúdo.  “Entendemos a situação deles e sabemos que vamos conseguir recuperar o tempo perdido. Minha turma tinha só geografia e sociologia, e não tem como não ficar preocupado. Nós tentamos, mas não dá pra estudar sem o professor”, opina a estudante.

Já na Escola Estadual Abdon Batista – que atende 1.100 alunos do ensino médio, a frequência não foi tão alta assim. De acordo com o diretor Vandelir Deucher, 60% dos alunos voltaram a estudar ontem. “Em comparação com as semanas anteriores, aumentou bastante. Até então, uma média de 200 estudantes estava vindo para a aula”, comentou.

Mas, conforme Deucher, o número de professores parados pouco mudou: dos 46 educadores que lecionam na instituição, 15 continuam em greve. “Nesta semana vamos dar prioridade à reposição do conteúdo. Por exemplo, professores que pararam alguns dias devem dar aulas no período de folga. Mas o calendário oficial só será montado na semana que vem”, disse. O levantamento da SDR informa um número diferente de professores parados na instituição: 11 profissionais.

Categoria faz plantão na Alesc

A gerente de Educação da SDR, Lorita Karsten, informou que, ainda hoje, o secretário de Educação, Marco Tebaldi, deve baixar uma portaria ou emitir um comunicado sobre a contratação de ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) para substituir os professores que não voltarem para a sala de aula nos próximos dias.

A coordenadora do Sinte Regional, Mislene Pickcius, entende que a determinação é inconstitucional. “Greve é um direito assegurado pela constituição, se isso realmente acontecer será uma ação totalmente irregular. Além disso, não sei onde é que o governo vai arrumar tantos ACTs. A cada ano, é menos profissionais se candidatando para essas vagas”, criticou.

Hoje, a categoria fará plantão na Assembleia Legislativa para que o Projeto de Lei Complementar que trata do piso salarial de R$ 1.187 – que prevê o mesmo salário para sete de um total de 12 níveis de carreira – seja rejeitado. Dessa forma, o governador Raimundo Colombo teria que reabrir negociações para enviar um novo projeto, em condições mais favoráveis ao magistério.

REPOSIÇÃO

Na última sexta-feira, o governo definiu que a reposição das aulas acontece entre 18 e 31 de julho – substituindo duas semanas de férias -, durante os feriados do segundo semestre e continuam até 22 de dezembro, em que ocorre o encerramento do ano letivo. Segundo Lorita Karsten, a Secretaria Estadual da Educação definiu as bases para a reposição das aulas – mas as escolas têm autonomia para definir o cronograma de acordo com o conteúdo a ser reposto e o número de professores em greve. Ao contrário do que se especulava, os sábados não serão utilizados para a reposição, já que aulas na manhã de sábado prejudicariam os alunos dos períodos vespertino e noturno.


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