
- Coleta seletiva de materiais recicláveis deve ser ampliada em Jaraguá. (Foto: Eduardo Montecino)
Qual dos itens não faz parte deste grupo? Garrafa pet, papelão, embalagem de shampoo, restos de comida e caixa de leite. Aí está a maior queixa de quem trabalha com material reciclável em Jaraguá do Sul. “Encontramos muitos bichos e restos de comida. As pessoas deviam ter mais consciência na hora de separar o lixo”, diz a cooperada Janete Zimerman, 49 anos. A reportagem de OCP foi a uma cooperativa e a uma associação de materiais recicláveis, na manhã de ontem, para ver como funciona o processo de separação de objetos. O engenheiro florestal da Secretaria de Obras do município, Robin Pasold, acompanhou as visitas.
Conforme Pasold, a maioria dos jaraguaenses desconhece, mas a cidade é grande produtora de material reciclável. São em média 200 toneladas por mês. No entanto, 150 toneladas são aproveitadas. “As outras 50 toneladas são lixo. Não se pode reciclar. A população não prepara bem. Reciclável sujo é lixo”, comenta. Pasold vê como alternativa a conscientização da população adulta, que, segundo ele, é quem tem a decisão.
O sistema, por parte dos serviços oficiais, atua da seguinte forma: A Ambiental, empresa responsável pelo recolhimento do lixo e pela coleta seletiva, recolhe o material em frente a residências e empresas e leva até as cooperativas e associações de recicláveis. Nestes locais, os colaboradores separam os objetos por categorias (papelão, plástico, vidros, entre outros) e, após separado, o resíduo é prensado. Por fim, é vendido para empresas que transformarão o material em outros produtos.
Plano Municipal de Saneamento prevê projetos para a reciclagem
Embora a Ambiental faça o trabalho de recolhimento, as organizações visitadas têm seus próprios caminhões e coletam a maior parte dos recicláveis. Ainda que nem todos tenham o mesmo recurso. Segundo Pasold, o material não entregue às associações e à cooperativa é levado para recicladores menores. Tanto as organizações maiores quanto as menores estão cadastradas para receber os objetos. “Hoje não temos como receber mais cadastros”, explica Pasold.
Quanto à logística para a coleta seletiva, atualmente a Ambiental conta com um caminhão que percorre diferentes pontos do município. Entretanto, este veículo não tem dado conta da demanda. Para isso, a Ambiental e a Secretaria de Obras estuda colocar mais um caminhão para atuar na coleta. A montagem de duas novas equipes para este serviço também faz parte do projeto. “Assim que tivermos com tudo pronto, a população receberá novo roteiro e os dias de circulação”, declara.
Mas, as negociações para melhorar este serviço não se restringem apenas a essas duas instituições. De acordo com Pasold, um Plano Municipal de Saneamento já foi debatido em 12 audiências públicas. Assim que aprovado será adotado como lei. Este plano prevê uma agência reguladora que ficaria encarregada das associações e cooperativas de recicladores. Entre as exigências previstas para o plano, está a organização dessas associações e cooperativas de recicladores. Atualmente o lixo é entregue em sete pontos de reciclagem.
Em Timbó, Prefeitura Incentiva reciclagem
No município de Timbó, a administração pública por meio do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) tem uma estratégia para estimular a separação de resíduos recicláveis. Cada morador recebe um saco plástico especial para armazenar o material que pode ser reaproveitado. Conforme Ivo Adam, chefe de divisão do Aterro Sanitário, as sacolas tem capacidade para 100 litros e são feitas de um material resistente. Uma vez por semana, o caminhão coletor passa em cada residência da cidade.
O destino desses resíduos é a triagem. Em Timbó, ao contrário de Jaraguá, este serviço é feito por funcionários da Prefeitura, pois não há cooperativas ou associações. Após a triagem, os objetos são prensados. “Depois da prensa todo o resíduo é vendido em um leilão público”, explica. Ele comenta que os compradores são pessoas físicas ou atravessadores, responsáveis por negociar o material com as fábricas transformadoras de recicláveis. Desde 2006, funciona o sistema do saco plástico. Constantemente são realizadas campanhas de conscientização e, de acordo com Adam, 70% da população respeita o sistema. Lá, são recolhidas 125 toneladas por mês.
Instituições começam a se organizar
Na cooperativa criada por Cristiano Eleutério, 33 anos, a palavra de ordem é organização. Mesmo que lixo seja o seu negócio, tudo está muito bem separado e limpo no galpão de 570 metros quadrados. Não há mau cheiro. Há um ano e dois meses, Eleutério, ex-funcionário da Ambiental, resolveu criar a cooperativa. A instituição ainda está em fase de registros e, segundo ele, o que falta é a aceleração do processo por parte da Prefeitura. Dez cooperados trabalham dentro do local e outros cinco coletam os resíduos pela cidade.
Por mês, a cooperativa chega a receber R$ 12 mil pela venda dos recicláveis prensados. Com este valor, além das despesas com combustível e aluguel, todos os colaboradores são pagos. “Cada cooperado recebe entre R$ 800 e R$ 850 por mês”, conta Eleutério. Cerca de 50 toneladas são organizadas todos os meses nesta cooperativa. Uma das queixas de Cristiano é a pouca contribuição da Ambiental. De acordo com ele, a maioria do lixo levado para o galpão é recolhida por ele.
“O pessoal não sabe separar o lixo. Já achamos gato morto aqui”, lembra. Eleutério ainda não tem estrutura para vender os resíduos organizados na cooperativa, por isso precisa dos atravessadores. Ele pretende investir ainda mais. “Quero colocar piso aqui dentro e fazer um uniforme para o pessoal”, diz. Entre o material coletado, há até computadores, roupas e aparelhos de DVD e vídeo cassete. “Sou contra a Prefeitura dar dinheiro para as cooperativas, mas deveriam facilitar para que organizem-se”, afirma. “Meu pessoal gosta de trabalhar aqui. Eles me falam. Eu acho que lixo vicia”, brinca.
Associação pede atenção da população para o lixo
Em uma associação, a presidente Rosângela de Oliveira, 39 anos, e o tesoureiro Claudinei Ananias, 50 anos, trabalham para organizar o galpão. A associação se mudou para o local há apenas três meses. Rosângela trabalha há dez anos com reciclagem. Ela e Ananias são remanescentes do antigo lixão da Vila Lenzi, próximo de onde hoje é a Arena Jaraguá. De acordo com a presidente, seria importante que o poder público fizesse o papel de divulgar o que é material reciclável. “Encontramos muito bicho morto”, diz.
Cada funcionário recebe aproximadamente R$ 600 mensalmente, mais alimentação. “A intenção é regularizar tudo para até o meio deste ano sermos uma associação de verdade”, comenta. Conforme Ananias, são produzidas 48 toneladas por mês. Como na cooperativa, a associação também tem seu próprio caminhão e recolhe a maioria do lixo que organiza. “Queríamos que as pessoas cuidassem do que colocam no lixo. Já tivemos funcionários queimados com ácido”, sugere Ananias.
