
- Mirielly dos Santos (E) e Simone Ponte Ferraz correm na pista de atletismo do Baependi, único local para treinamento na cidade. (Foto: Marcele Gouche)
Mesmo com todas as dificuldades de treinamento, por falta de um local apropriado em Jaraguá do Sul, o atletismo foi a modalidade que mais trouxe medalhas na última edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina. Ao todo, foram nove medalhas: três de ouro, uma de prata e cinco de bronze.
Embora a meta fosse o 3º ou até 4° lugar, as atletas de Jaraguá do Sul ficaram na 5ª colocação na classificação geral da modalidade. As medalhistas foram Mirielly do Santos, Simone Ponte Ferraz, Sally Mayara Siewert, Melissa Daniel Silva e Ana Paula Fernandes. No masculino, foram Olavo José Reali e Maico Angst.
A falta de estrutura impede que as conquistas do atletismo jaraguaense sejam ainda maiores. Mirielly conta que por falta de condições de treinamentos para provas mais técnicas, as conquistas acabam se limitando às provas de pista. “Saímos prejudicadas pela falta de estrutura, precisamos de mais condições para treino”, lamenta.
Outro problema enfrentado é a falta de treinadores. Atualmente são dois técnicos para cerca de 60 atletas, enquanto em outras cidades, as equipes contam com até seis profissionais nos treinamentos, que acontecem todos os dias, com exceção do domingo. “Dedicamos meio período do dia aos treinamentos e na outra parte trabalhamos”, conta Simone, que é personal trainer, assim como Mirielly.
Sobre o futuro do esporte na cidade, Mirielly ressalta que os talentos sempre vão surgir, mas a falta de estrutura faz com o esporte perca essas promessas para o mercado de trabalho. Para as atletas, o ideal seria um local que oferecesse condições de treinamento para todas as categorias do atletismo. Atualmente há a pista de atletismo construída pela Prefeitura, mas o campo não vem sendo utilizado, porque está sendo dividido com outros esportes.
Experiência e dedicação ao atletismo
Participando desde 1999 dos Jogos Abertos de Santa Catarina, Mirielly, 26 anos, já conquistou 11 medalhas de ouro. Já Simone, 20 anos, corre no Jasc desde 2009 e já trouxe seis medalhas. As duas são beneficiadas pelo programa bolsa-atleta do governo do Estado e precisam manter os bons resultados nas competições para garantir a verba.
Para Simone, ganhar o Jasc não depende apenas dos treinamentos e da parte física. Também é importante “usar a cabeça”, pois muitos dos competidores que participam dos jogos são de fora e há uma pressão para que atletas de Santa Catarina conquistem medalhas. “É importante quando alguém daqui consegue um bom resultado”, ressalta Simone. Para ela, a medalha ainda significa o reconhecimento do trabalho e da dedicação. “É o trabalho recompensado na hora certa”, diz a atleta.
