Pré-candidatos a prefeito de Jaraguá do Sul: Justino da Luz

“Onde há o corrupto, há o corruptor”

Patrícia Moraes
Publicado 12/12/2011 às 14:43:56 - Atualizado em 12/12/2011 às 15:39:56

Nome: Justino Pereira da Luz

Idade: 41 anos

Formação: Ex-seminarista, em Curitiba.   Formado em Língua Portuguesa e Literatura, pós-graduado em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares. Iniciei a graduação na Unerj/Puc e conclui na FURB

Família: Casado com Ana Paula, pai de dois filhos, (André Luis, em memória) Luís Antônio e outro previsto para nascer em janeiro de 2012

Cargos privados que já ocupou: Trabalhei durante cinco anos na Kolbach-Motores Elétricos, entre os anos de 1996 a 2000, quando inicie a atuação sindical na defesa dos direitos e cumprimento das leis trabalhistas. Fui diretor dos Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos

Cargos públicos que já exerceu: Atuei em várias escolas da rede estadual e municipal de ensino como professor. Estive à frente do Sinte por um mandato, sempre na defesa dos direitos e valorização da categoria. Atualmente dedico tempo integral ao mandato de vereador

Melhoria no transporte coletivo da cidade é um dos objetivos de Justino (Arquivo OCP)

Patricia Moraes - Por que deseja ser prefeito de Jaraguá do Sul?
Justino da Luz - Primeiro pelo sonho de poder ajudar a construir uma sociedade mais igualitária, em que as pessoas tenham uma condição de vida mais digna. E isto se constrói coletivamente, através do Orçamento Participativo e outras tantas iniciativas, onde o cidadão tem poder de decisão. É ele quem define prioridades.

Patricia - Qual o principal problema do município no seu ponto de vista e como resolvê-lo?
Justino - Um dos principais problemas do município é a mobilidade urbana. O transporte coletivo precisa estar em todos os bairros.  O valor do passe é um dos mais elevados de Santa Catarina, sem falar da qualidade. Defendo a construção de terminais descentralizados nos bairros e de linhas específicas ligando bairro a bairro, seguindo o exemplo de Curitiba.  Falta de vagas nas creches é outra demanda social, que vem prejudicando os trabalhadores. A construção de centros de educação infantil em todos os bairros com sistema de turno é medida necessária e urgente. 

Patricia - Para 2012, o Orçamento do município é de R$ 487.632.930, sendo que cerca de R$ 200 milhões estão reservados para folha de pagamento do funcionalismo público. Tirando os percentuais obrigatórios para investimento em alguns setores e o pagamento de dívidas sobrará pouco mais de R$ 80 milhões para investimentos. Como avalia essa conta, o que fazer para aumentar a capacidade de investimento próprio?                Justino - Reduzindo as terceirizações no serviço público e o número de cargos de confiança na administração. É perfeitamente possível enxugar à máquina se os servidores de carreira forem valorizados, ocupando cargos que seriam comissionados com as chamadas gratificações. E também qualifica, porque o quadro efetivo é formado por técnicos em sua maioria.  A implantação de um instituto de planejamento também gera economia aos cofres, na medida em que os investimentos são executados sem grandes modificações no seu percurso. Mudar muito um projeto significa desperdício.

Patricia - Corrupção e impunidade são problemas que afetam o país há décadas, mas nos últimos anos a sociedade vem tentando extirpar esse mal. Como avalia esse problema e como pretende combatê-lo?
Justino - A corrupção e a impunidade estão presentes na sociedade não há décadas, mas há séculos, desde o Brasil-Colônia. E elas não são um mal somente da classe política. São, eu diria, reflexo da nossa própria sociedade. O combate à corrupção se dá em pequenas ações quando, por exemplo, um servidor público não leva uma caneta do seu trabalho para casa. Ou quando o eleitor deixa de “barganhar” junto ao candidato algum benefício para si. Onde há o corrupto, há o corruptor. Educação é o caminho. E também a responsabilização, que hoje podemos dizer que existe, na contramão da impunidade. É só pegar os números de casos de prefeitos, governadores e autoridades presas e condenadas nos últimos anos.

O que pensa sobre:

Transporte público

O atual modelo não atende as necessidades dos usuários do transporte coletivo. Falta de linhas, o que gera a superlotação; prejudica o trânsito, na medida em que todas as linhas passam pelo centro, sem ligação bairro-bairro. O transporte é um serviço público e, por isso, deve ser debatido coletivamente.

Trânsito

É resultado da má gestão e da descontinuidade de políticas. Nas trocas de governo, os projetos são abandonados e outros são iniciados. É preciso pensar e trabalhar a médio, longo prazo. E o trânsito é o maior exemplo disto. Os problemas também seriam amenizados com um transporte público eficiente. Hoje é mais barato usar o carro.

Sistema de saúde

É um dos grandes desafios da gestão pública. Precisamos primeiro parar com a demagogia, pois não é segredo que os médicos novos não conseguem usar a estrutura dos hospitais. O fechamento do corpo clínico é o que explica a falta de médicos. Não fosse isto, por qual razão haveria inscrições nos concursos, onde os salários são estampados nos editais, mas depois de aprovado os médicos desistem de atender?

Qualidade da educação

Algumas propostas: escolas em período integral com cursos profissionalizantes; ampliar o convênio com empresas para aumentar a oferta de vagas nas creches (fazer cumprir a CLT.); promover, juntamente com o sindicato, a reforma de cargos e salários dos servidores; informatizar as salas de aula.

Divisão de cargos

É resultado de uma eventual composição, alicerçada em um projeto para a cidade, em um plano de trabalho. Condição primeira: capacidade e comprometimento com o projeto.

Formação de alianças

Seguindo as recomendações da executiva nacional, que prioriza a formação de alianças com partidos da base aliada do governo Dilma Rousseff, resguardando as peculiaridades/afinidades locais.

Governo Colombo

Governo desorganizado, nota 4. Muita publicidade, pouca ação.

Governo Dilma

Governo firme e social, não tolerando os desvios de conduta. Voltada para as pessoas com menores condições financeiras, com programas populares, a exemplo do “Minha Casa, Minha Vida” e “Brasil Sem Miséria”.   E também o PAC-2, com diversos investimentos em todas as áreas necessárias para o desenvolvimento humano e urbano. 

Leia as entrevistas com os outros candidatos:

Antídio Lunelli (PMDB)

Dieter Janssen (PP)

Moacir Bertoldi (PR)


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