
- Agricultores de Jaraguá reclamam da concorrência vinda de outros municípios. (Foto: Eduardo Montecino)
Nem todos devem saber, mas acontecem oito feiras livres de segunda a sábado em sete pontos de Jaraguá do Sul – duas no Centro e seis em outros bairros - frequentadas principalmente por donas de casa, donos de restaurantes e pequenos comerciantes. As feiras, também conhecidas como “sacolões”, acontecem na sede do Clube Botafogo, na área externa do Mercado Municipal, no pátio da comunidade São Judas Tadeu, Praça Ângelo Piazera, Associação de Moradores da Vila Lalau, e na Cohab da Vila Rau.
E apesar de serem cerca de cinco agricultores locais que destinam parte da produção para as feiras, cadastrados informalmente junto à Prefeitura, ao que tudo indica a concorrência de produtores de fora já está atrapalhando.
A denúncia é de que produtores de Antônio Carlos, da região de Florianópolis, e de Blumenau, no Vale do Itajaí, estão ocupando espaço indevidamente e impedindo a atuação de outros produtores locais, interessados em ingressar na atividade.
Desde 2010 a administração municipal formou comissão para regulamentar o comércio de hortigranjeiros, projeto que envolve as secretarias de Agricultura, Desenvolvimento Econômico e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaraguá do Sul.
O produtor rural Eraldo Müller, 55 anos, conta que há cinco anos trabalha com feiras, na comunidade São Judas Tadeu e na Praça Ângelo Piazera. Apenas parte dos produtos ele busca na Ceasa, em Curitiba. Ele produz abobrinha, vagem e berinjela. Segundo ele, uma das reclamações dos produtores jaraguaenses é que os de fora chegam de madrugada, e costumam produzir bastante ruído ao se instalarem na Getúlio Vargas.
Produtor “de fora” vem há 15 anos vender por aqui
O hortigranjeiro João Marcelo Gelsleichter, 35, que toda a semana faz três viagens de ida e volta de Antônio Carlos, confirma que “há 15 anos carrega verduras para Jaraguá”. Os produtos são da região de São José e Florianópolis. Às terças-feiras, ele é encontrado no Salão Botafogo, nas quintas no Parque Municipal de Eventos e aos sábados, na área ao lado do Mercado Municipal. “Trabalhamos com hortaliças e frutas da época”, esclarece. Diz que a sua atuação é de conhecimento da administração municipal e assegura que nunca teve problemas por competir no mesmo espaço que os agricultores locais.
João Marcelo se esquiva quando perguntado sobre o lucro alcançado, nem qual a diferença média que o consumidor sente no bolso em relação aos preços praticados pelos mercados. “Esse acompanhamento é do cliente”, diz.

- Em Jaraguá do Sul, são realizadas oito feiras livres de segunda a sábado em vários. (Foto: Eduardo Montecino)
Prefeitura quer regulamentar
Secretarias de Agricultura e de Desenvolvimento Econômico formaram comissão para viabilizar a regulamentação da atividade de feirante em Jaraguá do Sul. “Não tem nada formalizado. Não temos lei específica que regulamente a atividade dos feirantes” reconhece o secretário municipal de Agricultura, André Cleber de Melo, que em 2010 formou comissão com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econônico e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaraguá do Sul.
Melo reconhece que a livre atuação dos feirantes de outros municípios acontece há cerca de 16 anos, justamente por falta de regulamentação da atividade. “Se houver demanda de feirantes de Jaraguá do Sul, é só nos procurar. Quanto mais gente, melhor. A feira tem que ser usufruída tantos pelos consumidores como pelos agricultores.” Ele garante que essa situação deve ser definida “no primeiro semestre de 2012”.
O secretário de Desenvolvimento Econômico Célio Bayer, esclarece que a ideia é regulamentar os espaços das feiras e determinar que os vendedores ambulantes hortigranjeiros se organizem e formem uma associação. “Precisamos disciplinar o espaço. Para isso contamos com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais”. Interessados em buscar informações sobre as feiras podem contar pelos telefones (47) 2106-8111 e 2106-8091.
