Seis jovens obstinados a desmistificar o mundo dos investimentos financeiros se juntaram e tornaram-se sócios. John Gomes, Johny Minel, Layon Dalcanali, Leandro Corrêa, Luís Pauli e Roberto Seidel criaram a empresa Patrimono, agente da XP Investimentos. O objetivo da Patrimono é auxiliar pessoas interessadas em investir seu dinheiro. Eles partem da premissa de que a maioria das pessoas desconhece produtos financeiros. Ao invés de ganhar e gastar, os rapazes orientam seus clientes a percorrer outro caminho, que consiste em ganhar, gastar. Mas, com o que sobrar, poupar e, por fim, investir, para futuramente viver da renda gerada pelo investimento. O OCP conversou com o agente Luís Pauli. Além de falar sobre a situação econômica do país, ele deu alguns conselhos para quem quer investir.
Quais são as previsões para a economia no Brasil este ano? Elas são otimistas?
A gente vem enfrentando uma crise mundial na Europa, crise em 2008 nos Estados Unidos e, certamente, o Brasil acaba sendo um pouco prejudicado em relação a essa crise. No entanto, o que vem se destacando mundialmente realmente são as economias emergentes, o chamado Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – principalmente. Em 2011, o Brasil foi o terceiro país que mais recebeu investimento estrangeiro, já é a quinta maior economia do mundo e tem tudo para nos próximos dez anos se beneficiar com alguns eventos como Olimpíadas e Copa do Mundo. A taxa de juros, que vem caindo, proporciona um melhor giro na economia. E, se controlada a inflação, poderemos dar um salto muito grande nos próximos anos.
Você falou sobre a crise econômica na Europa e nos Estados Unidos. De alguma forma isso pode nos afetar, e como?
A crise mundial afeta, principalmente, as empresas exportadoras. Se os países de primeiro mundo estão, de fato, enfrentando uma crise financeira, certamente eles vão comprar menos. Algumas empresas no Brasil têm saído disso, justamente se preocupando mais com o mercado interno e exportando para países vizinhos.
O poder de compra do brasileiro se mantém? É indicado que ele continue nesse consumo desenfreado, é bom para a economia? Ou, você aconselha que o brasileiro comece a poupar e adquirir apenas o essencial?
Depois do plano real, a gente vê o Brasil em ascensão. As pessoas hoje já têm casa, carro, e isso faz com que para algumas pessoas da classe C em diante comece a sobrar dinheiro. Esse dinheiro geralmente vai para um lazer. O que é bom para a indústria, mas ruim para o brasileiro, é que se houver um gasto desenfreado, certamente ele pode ficar endividado. O ideal é que as pessoas façam o seu dever de casa: simplesmente gastar menos do que ganha.
As indústrias do Vale do Itapocu podem sofrer desaceleração diante da crise em outros países?
A gente tem uma indústria basicamente do vestuário e de motores. Para as empresas exportadoras, principalmente para os países da Europa e Estados Unidos, certamente podem sentir uma desaceleração. Mas, o mercado interno continua em ascensão e a saída é vender para os países vizinhos.
Em relação à educação financeira da população. Quais as orientações que costumam dar aos clientes?
Nos Estados Unidos é muito comum as crianças passarem por disciplinas de empreendedorismo, de educação financeira. Aqui no Brasil, muito pouco é ensinado para as nossas crianças e elas crescem e só conhecem, culturalmente, um tipo de produto, que é a poupança. Só que existem diversas outras formas de investir seu dinheiro, com a mesma segurança, e que podem render 40, 50 ou às vezes 60% a mais que a poupança. Então, falta de fato essa educação financeira, que vai contribuir para as pessoas saberem economizar e negociar.
Quais são os investimentos ideais em cada faixa etária? Trata-se do melhor investimento ou de quanto se tem para investir?
Na verdade, não tem uma faixa etária definida. O ideal é que se comece o quanto antes. Hoje se pode começar um investimento com muito menos do que as pessoas imaginam. Com R$ 100 você pode investir nos títulos públicos federais que, em média, pagam 10,5% ao ano, que é a nossa taxa de juros básica da economia. A poupança rende mais ou menos 7%. Então, de cara, você já tem um rendimento de menor risco que a poupança e pouca gente sabe disso. Se você começar desde jovem a formar poupança com pouquinho, daqui a 20, 30 anos você vai ter, certamente, um montante muito grande.
Em relação à previdência privada, como funciona e quais são as vantagens?
A gente sempre recomenda que antes de fazer qualquer tipo de previdência privada, a pessoa entenda de fato o que está fazendo. São, basicamente, três coisas. Verificar quanto a previdência está cobrando de taxas de carregamento, de taxa de administração. Verificar se é um plano VGBL ou PGBL, pois dependendo do plano muda-se a forma do imposto de renda e a tabela de imposto de renda, verificar se é progressiva ou regressiva. Por isso, antes de fazer qualquer plano, é preciso buscar um agente autorizado que possa dar instrução quanto ao melhor plano de previdência.

