Trabalho sério com jeito de colônia de férias no Femusc em Jaraguá do Sul

Pautado na educação musical, Femusckinho integra crianças da microrregião

Kelly Erdmann
Publicado 26/01/2012 às 10:02:08 - Atualizado em 26/01/2012 às 10:12:39
Tabea é uma das crianças que participa do Femusckinho. (Foto: Marcele Gouche) 

Não são somente os adultos que, durante as duas semanas de duração do Festival de Música de Santa Catarina, estudam, se dedicam às partituras como fieis companheiras e, como brinde pelo esforço, fazem amigos e se divertem. Com quase uma centena de crianças da microrregião acontece exatamente a mesma coisa, porém, em proporções diferentes.

O Femusckinho, uma espécie de colônia de férias, reúne jovens de seis a 12 anos de idade em torno da musicalização infantil e do consequente aprendizado da técnica destinada aos instrumentos de cordas e flauta doce. Para isso, há até um corpo docente específico. Ele conta com as professoras Patrícia Perizzollo, Liara Krobot, Rúbia Lohmann e Ângela Sasse.

Neste ano, sob a batuta do quarteto, está Tabea Pauls Warkentin. A menina, de apenas oito anos, participa pela primeira vez da iniciativa. Porém, logo de início, já demonstrou empolgação. Filha de musicista, a garota foi incentivada pela mãe, Verona, a aproveitar a chance oferecida pelo Femusc de aprender mais sobre o violino, instrumento que toca faz algum tempo. “Fiquei interessada logo que ela me sugeriu”, comenta.

Acostumada a tocar o instrumento na igreja frequentada pela família, Tabea estuda com a mãe, em casa. Por isso, o Femusckinho abre novas perspectivas e expectativas. “Vai ficando mais difícil, estou com um pouco de medo”, confessa. O receio, em suma, tem relação com a apresentação final que os alunos do evento fazem anualmente no ‘Concerto para as famílias’, realizados nas manhãs de sábado, e no encerramento do festival, marcado para a noite de quatro de fevereiro.

Até os concertos, as atividades do Femusckinho estão centralizadas no Colégio Jangada. Elas acontecem de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Ao todo, foram oferecidas 80 vagas e as inscrições ocorreram nos últimos meses, antes do início do Femusc.

INCENTIVO

Assim como a filha, Tabea, Verona Pauls Warkentin também começou a tocar violino ainda na infância. A inspiração veio do pai, também violinista, e da mãe, uma pianista. Depois, ela fez o curso intermediário do instrumento no conservatório de Belas Artes do Paraná.

Foi essa relação firmada com a música desde os primeiros anos de vida que a fez aguçar o interesse nos herdeiros. Além de Tabea, Verona estimulou o filho, Mateus, a tocar. Hoje, ele tem como amigos íntimos o violoncelo e a guitarra. Já a menina, se divide entre o aprendizado do violino e da harpa.

Segundo a mãe das crianças, o envolvimento com as artes só faz bem a elas e, no Femusckinho, paralelamente às aulas, ainda há um incentivo extra ao relacionamento com outros jovens de idades semelhantes. “Independente do instrumento tocado, quero que meus filhos vejam a música como uma opção a mais de trabalho e até de terapia”, enfatiza.

Exemplo de participação!

Pelo quinto consecutivo, Vanja Ferreira, 48, arruma as malas em pleno verão carioca e se instala por duas semanas em Jaraguá do Sul. Isso porque, ela não deixa de participar do Femusc, mesmo já sendo harpista profissional e professora do instrumento no Rio de Janeiro.

Não entendeu nada? Pois saiba que para ela, o Festival de Música de Santa Catarina é uma experiência daquelas quase obrigatórias. Tanto que até o mesmo o aniversário do neto, comemorado em dois de fevereiro, costuma ser passado longe de casa e distante do restante da família. “O Femusc é o único do Brasil que dá chance para nós, os músicos profissionais. É importante isso, porque assim podemos nos reciclar e saber mais do cenário atual no exterior”, explica.

Como contrapartida, Vanja gosta de transformar a sua participação em um benefício à comunidade. Já no primeiro dia de evento, fez questão de se apresentar em concertos sociais, prática que só se intensifica ao longo das duas semanas de duração da maratona musical. Um dos lugares indispensáveis à agenda da haspista é o Lar das Flores, onde os moradores aguardam ansiosos pela visita ano após ano.

Segundo a musicista, a experiência vem sendo indescritível. “Dessa forma, tenho a oportunidade de contribuir com a cidade, de dar um pouco de alegria às pessoas”, complementa. O comprometimento social, aliás, também é uma prática estendida ao longo dos meses não destinados à participação no Femusc. No Rio de Janeiro, Vanja leva a harpa para a periferia, nas cidades da Baixada Fluminense.


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