
- Violinista Simon Bernardino comanda os alunos em ensaio. (Foto: Marcele Gouche)
“A orquestra vai chorar, queremos que o público deixe uma lágrima na Scar”, essa é a expectativa do maestro e diretor do Femusc, Alex Klein, para a apresentação da Orquestra Sinfônica do Femusc, formada por 60 estudantes, que vai tocar Romeu e Julieta, hoje, no grande teatro da Scar. Antes, às 20h30, terá a apresentação da orquestra sem maestro, composta por cerca de 70 estudantes e liderada pelo italiano Simon Bernadini.
A escolha de Romeu e Julieta foi feita pelos próprios alunos. “É boa para tocar e tem uma presença muito forte, além de ser um desafio para os estudantes”, comenta o regente Alex Klein. Para o maestro, é importante que todos os envolvidos gostem, tanto o público quanto quem vai tocar e os alunos gostam dessa peça. Os ensaios começaram na última segunda-feira e continuam hoje pela manhã. Mas os alunos receberam a partitura em novembro do ano passado para poder estudar. “É muito pouco tempo para se preparar, eles precisariam de mais”, pondera o diretor. O maestro adianta que a apresentação é dramática e afirma que se o público não ficar com vontade de chorar, os músicos se sentirão frustrados.
Orquestra diferente
Misturando italiano, espanhol, inglês e até um pouco de português, o violinista Simon Bernardino dá algumas dicas aos alunos e comanda o ensaio para a apresentação da orquestra sem maestro, que vai tocar a sinfonia número 1, clássica, de Sergei Prokofiev. Esse é o terceiro ano que o público e os estudantes do Femusc terão a oportunidade de assistir e participar desse tipo de orquestra.
Natural de Turim, Simon cresceu na França, começou a tocar piano aos cinco anos e violino aos sete. Professor da orquestra filarmônica jovem de Berlim, ele já se apresentou por toda a Europa e integrou algumas das melhores orquestras do velho continente. Há 12 anos, Simon montou um grupo para vivenciar a experiência de tocar sem maestro e se apresentou no Japão, Coréia do Sul, Alemanha, Itália e França.
Ele afirma que tocar sem maestro é o sonho de todo músico. “Eles querem ser livres e sem uma direção eles podem ser mais livres”, diz, destacando que sem a presença de alguém com as batutas, o aluno precisa aprender com os amigos, porque não tem ninguém para dirigir, no entanto, o aprendizado acaba ficando mais lento. Idealizador da apresentação da orquestra sem maestro, Alex Klein conta que sua intenção é que os alunos aprendam a tocar sozinhos e para que os regentes sejam menos tiranos.
Com a experiência de ter viajado a Europa, o violinista afirma que na América Latina, mesmo quem não tenha tido contato com esse tipo de orquestra, aprende fácil, “tem um talento natural” e muita vontade de aprender. Sobre vir ao Brasil, Simon diz que é uma emoção particular por vir de tão longe do local de trabalho, na Ásia e Europa. “Por mais que tenha pessoas de todo o mundo, é muito bonito ver toda essa gente querendo aprender”, confessa.

- Wellington dos Santos é músico há 14 anos. (Foto: Marcele Gouche)
Alunos vivem novas experiências
O trompetista Wellington dos Santos, 33 anos, é músico há 14 anos e veio de São Paulo para participar do Femusc e fazer parte da orquestra sem maestro. Ele se inscreveu e foi selecionado para essa apresentação. “É uma experiência diferente, estou acostumado com o maestro, é a primeira vez e é uma oportunidade muito interessante”, conta Wellington. Na visão do músico, a falta de um diretor pode trabalhar mais o senso de coletividade dos músicos, pois todos terão que ouvir mais o companheiro. “É raro ter uma chance assim, está soando bem e o Simon está comandando bem o pessoal”, acrescenta.
Para o paraibano Caio Deniz, 17 anos, é interessante porque sem o maestro, os músicos podem perder o medo de fazer tudo sozinhos. “Precisamos nos preocupar com o coletivo, ganhamos mais independência e aprendemos mais a ouvir o colega e a própria orquestra”, comenta.
