Fotógrafo Humberto Furtado fala do “mochilão” pela África e Ásia

Em 2011 o jaraguaense Humberto Furtado, 25 anos, fotógrafo de moda de profissão, deixou amigos, família e partiu para uma grande aventura buscando agregar mais valor ao seu olhar.

Beatriz Sasse
Publicado 17/02/2012 às 19:00:56 - Atualizado em 20/02/2012 às 12:26:47
                                                                                                                              (FOTOS:  Humberto Furtado)

Em entrevista exclusiva diretamente da Tailândia, o fotógrafo Humberto Furtado conta um pouco sobre o “mochilão”, fala de fotografia, dificuldades e os irresistíveis elefantes. Quem ficou interessado pode acompanhar o http://esmolafotografica.tumblr.com, que o fotógrafo e aventureiro abastece constantemente com belas e intrigantes imagens, algumas delas que ilustram esta página.
 
O seu primeiro post no Esmola Fotográfica é de fevereiro de 2011 para só viajar em setembro. Começou ali sua vontade de fazer um mochilão ou já tem mais tempo? Como foi o planejamento?
Humberto - Em agosto de 2008, eu morava em um hostel em Montevideo (Uruguai), e ali todos os dias passavam novos mochileiros que se aventuravam pela América Latina, ali a vontade cresceu!
 
Por que “largar” a carreira para se aventurar, o que você busca?
Humberto - Não larguei a carreira, acordo e durmo todos os dias com minha câmera fotográfica no pescoço, acredito que nunca estive tão dentro da fotografia como agora.
 
Algum motivo especial fez você escolher a África como iniciou a sua aventura?
Humberto - Também em Montevideo, me esbarrei com um mochileiro (Louis-Joseph, do Canadá) ele esteve comigo um ano depois no Brasil durante 30 dias e planejamos fazer uma viagem à África juntos. A ideia se concretizou e comecei meu mochilão pela África de bicicleta com ele.
 
O blog que abriga teu diário de viagem chama Esmola Fotográfica, qual o motivo?
Humberto - A ideia inicial era atravessar a África de bicicleta, pedindo estadia para as famílias que encontrássemos no caminho.
 
E fica a curiosidade (e indiscrição da pergunta), de onde veio o dinheiro para bancar o mochilão?
Humberto - Tentei patrocínio, mas também não fui muito persuasivo, espero na próxima “trip” consegui-lo, pois não foi fácil arrecadar o dinheiro, cheguei a vender alguns quadros, graninha da avó, do pai, da irmã, da mãe, do amigo...

 


E depois de rodar várias cidades da costa da África você já está em outro país, a Tailândia. O que um fotógrafo de moda está fazendo na Tailândia em meio a elefantes? Que história é essa de voluntariado?
Humberto - A África potencializou minha busca pelo mundo, conheci uma americana, Lisa, que estava trabalhando voluntariamente em Kwantu Game Reserve, com elefantes, viajamos juntos por dez dias pelas praias do sul da África, o convite então foi feito e aceito! Quem não gostaria de conviver no meio de 183 elefantes no meio da Tailândia?!
 
São quase cinco meses em terras completamente diferentes das daqui, muitas dificuldades com idioma, cultura, comida, internet...?
Humberto - Muitas! Ainda mais quando se tem pouco dinheiro e se está em cidades com dificílimo acesso a tudo isto! Lembro em especifico uma semana que estive numa praia sem energia, telefone, muito menos net, e comia farinha de mandioca o molhinho de peixe (isca). 


E o que mais te surpreendeu até agora? O que emocionou?
Humberto - Estava na ilha de Moçambique, quando dezenas de crianças vieram ao meu entorno chamavam por mim por ser branco, resolvi comprar doces (tipo pé-de-moleque), pois quando me deparo tinha mais 50 mãos esticadas na minha frente! Nunca mais o fiz!
 
Você disse via Facebook que a viagem está só começando? O que ainda está nos planos? Quando você volta?
Humberto - Ainda farei Camboja e Vietnã, voltarei em março para Brasil a fim de organizar um pouco minha vida. Estou com um projeto junto com uma escritora italiana, de viajar pelos 27 estados do Brasil e mais o Distrito Federal, pretendemos começar em julho de 2012.


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