O maior festival integrado da América Latina chega pela primeira vez em Jaraguá como uma forma de manifestar a cultura urbana e de manter em funcionamento os eventos voltados à cultura do rock na região. Além disso, o evento proporciona novos contatos e a mistura de diferentes tribos. A noite movida a rock terá a presença da banda paulista Paura e das bandas catarinenses Fatal Blow, Estado Deplorável e Rejects S/A. A realização é da Motriz Produções.
Hoje vocês conhecem um pouco mais da história da banda Estado Deplorável, de Jaraguá do Sul, que falou com exclusividade para o caderno Mix, da versão impressa do jornal O Correio do Povo.
MIX - Um resumo da história da banda, nome dos integrantes, função...
Paura - A banda atualmente é composta por Ismael Niels (guitarra/vocais), João Augusto Furlani (guitarra/vocais) e os irmãos Diego e Sandro Rosá (bateria e baixo respectivamente). Começamos em 2006 e de lá para cá houve algumas trocas de integrantes, a mais dolorosa no final de 2011, com o falecimento de um dos fundadores da banda, nosso amigo Rafael Rosá.
MIX - Quantos CDs lançados? Algum projeto novo à vista?
Paura - A gente já gravou três demos, entre 2006 e 2009. Em 2010 gravamos nosso primeiro álbum (Ordem e Progresso), através do Fundo Municipal de Cultura. Aquele álbum nos proporcionou uma valorização legal na cena underground, temos tido bastante reconhecimento em outros estados e até em outros países como Rússia e Alemanha. Agora estamos novamente em estúdio gravando o segundo álbum, previsto para sair em meados de março. Temos alguns projetos após o lançamento deste álbum, mas ainda é surpresa (risos).
MIX - O que vocês esperam da participação do Grito Rock Jaraguá?
Paura - É um evento importante. Marca uma nova forma de se fazer festivais independentes. 99% das bandas estão no underground e é gratificante saber que as pessoas dão valor à isso. Este evento só vem confirmar a força da cena alternativa da região. E também coroa o sucesso obtido pelo Espaço Oca, que se tornou a casa do rock em Jaraguá do Sul.
MIX - Vocês têm trabalhado somente com músicas próprias ou rola algum cover nos shows?
Paura - A banda sempre teve seu foco voltado ao som autoral. Em Jaraguá do Sul e região mesmo há várias bandas que trabalham com som autoral, e a gente admira muito isso. Podemos citar inúmeras, mas não é fácil fazer exclusivamente isso, o público volta e meia pede para tocar algum cover. A gente às vezes toca cover para se divertir, mas mesmo assim só um ou dois e de bandas que quase ninguém conhece. (Risos.)
MIX - Qual a maior satisfação de vocês com a música? E a parte chata de fazer cultura...
Paura - Todos os integrantes fazem música porque gostam. Temos isso como hobby. Nunca tivemos pretensões de fazer sucesso, estourar, etc. Nosso estilo musical é restrito e sabemos disso. Se fôssemos fazer música para ganhar dinheiro ou fazer sucesso, escolheríamos outros nichos. A parte chata de tudo isso é a patrulha ideológica. Tipo, o sujeito fica colado no sofá assistindo bandas pela TV e criticando o underground: “Ah! tal banda se vendeu”, “Ah! tal banda está ficando comercial”, “Ah! bom mesmo era antigamente”. Enche o saco mesmo! Mas a gente está aí, dando a cara a tapa sempre.
MIX - Vocês estão on-line? Galera pode acessar o trabalho de vocês em algum site?
Paura - A gente sempre disponibilizou nosso trabalho gratuitamente pela internet. Como fazemos isso por diversão e paixão, seria no mínimo contraditório querer vender nosso som. Basta procurar em qualquer site de busca o nome da banda que vai aparecer centenas de links para baixar e assistir alguns vídeos da banda. E em breve estará disponível para download nosso novo trabalho.
MIX - Deixem um recadinho para os leitores.
Paura -Obrigado a todos que nos apoiaram nestes seis anos de luta. Agradecemos também a todos que nos deram força em novembro passado, quando levamos o pior golpe do destino desde o início da Estado. Apesar de tudo seguiremos tocando, não vamos parar e estaremos levando a memória do Rafael com a gente onde quer que estejamos. Nos encontramos no Grito Rock!

- (FOTO: Divulgação)

