
- Os jovens participantes do Femusc passaram a trocar experiências e fazer amigos durante as apresentações. (Foto: Eduardo Montecino)
No horário do meio-dia, enquanto as pessoas se sentavam para saborear uma boa refeição, oito jovens instrumentistas da América do Sul se revezavam na apresentação no Shopping Breithaupt. Instalados no corredor da praça de alimentação, eles iam tocando seus instrumentos para o público que estava almoçando ou que passava pelo local. Concentrados nas partituras e com o empenho característico de quem busca a perfeição, três argentinos, dois uruguaios, dois colombianos e um brasileiro se revezavam ao tocar suas músicas.
Muitos acompanhavam a atuação dos musicistas entre uma garfada e outra, outros permaneciam nas mesas aproveitando o tempo que restava do horário do almoço, prestando atenção em cada nota musical. Havia também os que preferiam se postar bem em frente aos músicos, olhares e ouvidos atentos, com expressão séria ou curiosa. Mas teve também os que passavam apressadamente segurando pastas, olharam os músicos de relance e seguiram seu caminho, apressados...
Mas, mesmo em um ambiente tão eclético, o empenho e o prazer de tocar para o público superavam barreiras. Ao final, ao verem o pequeno grupo que se formou e os aplaudiu, os rostos dos músicos se iluminaram e eles sorriram, gratificados.
Enquanto esperava a vez para se apresentar, o violinista colombiano LaBib Palis, 22 anos, nascido em Barranquilla, conta que estuda na Universidade Javerana de Bogotá, e que costuma formar dueto com um violinista, nas apresentações em seu país. Ele é estreante em Femusc e considera que o melhor do festival são as turmas de aprendizado, pela qualidade dos professores, vindo de todo o mundo. Toca há 13 anos e diz que em seu país a popularização da música erudita está em processo, e que nesta edição, 52 musicistas colombianos se inscreveram no evento.
A violoncelista argentina Maria Laura Logarzo, 31, veio pelo segundo ano consecutivo. Em 2010, estudava no Conservatório de Florença, na Itália. Ela reconhece que a música consegue transpor diferenças políticas, culturais e de ensino, tanto que eles estão ali, reunidos para se apresentar, sem terem se conhecido antes. Intercâmbios culturais e de amizade que se formaram. “Gostaria de poder voltar em 2013. Meu objetivo é poder trabalhar com o violoncelo.”
