7º Femusc: eles vieram da terra do tango para Jaraguá do Sul

Violonistas Javier Bután e Walter Moisello, de Buenos Aires, enaltecem Festival e intercâmbio

Sônia Pillon
Publicado 31/01/2012 às 08:32:34 - Atualizado em 31/01/2012 às 09:05:47
Walter e Javier durante o pré-ensaio, no alojamento da Escola Abdon Batista, antes da apresentação no Museu Weg. (Foto: Eduardo Montecino) 

O sotaque confirma a informação recebida na portaria do alojamento montado na Escola de Ensino Médio Abdon Batista. “Você fala espanhol?”. Sim, os dois violonistas clássicos são argentinos, mais precisamente de Buenos Aires, terra do tango e da inflamada torcida do Bocca Juniors. Bastante à vontade, eles estavam se preparando para iniciar o ensaio em dupla. Logo mais, às 18h, eles se apresentariam na “Série Violão Plus”, no Museu Weg, que acontece de segunda a sexta-feira. Ao todo, 16 violonistas estão participando do evento em 2012.

Com um “portunhol de fronteira”, desses que são bastante usados no Rio Grande do Sul, começa a entrevista com Javier Alejandro Buján, 29 anos, participante do Femusc (Festival de Música de Santa Catarina) pelo quarto ano consecutivo. “O Femusc é a minha segunda casa. É muito importante vir aqui”, resume. Ele conta que quando tinha 16 anos, o primeiro instrumento de corda que tocou foi a da guitarra, com rock e música popular argentina. A mudança radical para o violão clássico aconteceu há dez anos, após assistir um concerto que o impressionou.

Aí foi estudar no Conservatório di Morón, na cidade que leva o mesmo nome. “Hoje vivo da docência musical e faço apresentações”. Ele também organiza ciclos mensais de concertos de violão clássico e se entusiasma quando fala da participação no Femusc. “É uma aprendizagem a cada encontro com outros músicos, além das aulas com grandes mestres, se possível, melhores que eu”.

O colega Walter Moisello, 34, começou a se familiarizar com o instrumento aos 12 anos, em sua cidade natal, Arrecifes, a 180 quilômetros de Buenos Aires. É a segunda vez que integra o evento, e apesar de também morar e trabalhar na capital argentina, conheceu Javier apenas no Femusc. Ele também vive da música, lecionando em escolas e conservatórios. Walter soube do evento já na primeira edição, em 2006, mas se decidiu por influência do professor argentino Eduardo Isaac, uma das estrelas do Festival. “Muito interessante essa proposta. Se conhece pessoas de todas as partes do mundo, outras culturas”, destaca. Em seguida, os dois amigos passam a ensaiar o clássico “Il Nonino”, de Astor Piazzolla, e a milonga “Milongueo Del ayer”, de Abel Fleury.


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