Aumenta número de demissões no setor do vestuário no Vale do Itapocu

Somente em janeiro, cerca de 500 pedidos foram recebidos pelo sindicato da categoria.

Débora Volpi
Publicado 28/01/2011 às 07:00:00 - Atualizado em 27/01/2011 às 18:51:58

Setor está passando por uma fase de migração dentro da própria categoria. (Foto: Piero Ragazzi) 
Começar o ano com emprego novo. Este foi um objetivo alcançado por muitos trabalhadores da indústria têxtil, uma das mais significativas atividades econômicas na região. 

Dados do Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário de Jaraguá do Sul e região revelam que somente em janeiro, cerca de 500 empregados do setor pediram demissão. A maioria parte em busca de melhores oportunidades. “O nosso segmento costuma ter uma rotatividade bem grande, devido a crescente oferta de empregos na região. O que a gente percebe é uma migração dentro da própria categoria, ou seja, elas permanecem atuando no mesmo segmento, mas procuram empresas que tenham um diferencial, como um salário maior”, analisa a vice-presidente do órgão, Rosane Sasse. Ainda segundo ela, em períodos normais, a média mensal de demissões homologadas pelo Sindicato gira em torno de 200, ou seja, menos da metade do índice alcançado em janeiro de 2011.

O setor segue aquecido e oferece oportunidades para quem ainda está fora do mercado de trabalho. “A oferta de emprego é grande e chega a faltar gente para trabalhar. A maior procura é por costureiras”, enfatiza. Um dos entraves para as contratações é a baixa remuneração. Atualmente, o salário de admissão do setor, em Jaraguá do Sul e região, é de R$ 616 (valor do piso estadual de salário), enquanto o normativo (pago para os profissionais que ultrapassam os 90 dias de trabalho na mesma empresa) fica em R$ 710. Cerca de 25 mil trabalhadores atuam no ramo do vestuário em toda a microrregião.

Informalidade é combatida

A grande oferta de empregos ajuda a combater um outro problema da categoria: a informalidade. Isso porque muitos ainda atuam sem carteira assinada, privados de direitos trabalhistas como férias, 13º, FGTS, entre outros. “Este é o momento de as pessoas entrarem para a formalidade e conquistarem seus direitos. Muitos do setor ainda trabalham em facções ilegais e devem buscar o registro, porque temos muitas vagas”, aconselha Rosane. 


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