Ok, que Papai Noel não existe todo mundo já sabe, não é?! Mas, muitos esquecem que ele também não é (ou não deveria ser) o personagem principal dos dezembros, sejam eles frios, como na casa do "bom velhinho", na Lapônia ou no Polo Norte, ou de clima tropical, como o Brasil.
E já que aquela é uma discussão encerrada, agora, é a vez também de dar à data seu real significado. Uma celebração de elos. Um momento de rever valores. Essas são duas definições de sentido dadas à data que, no domingo, todos os cristãos vão comemorar.
A primeira resume o entendimento do pastor aposentado da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), Anildo Wilbert. Segundo ele, o Natal não deve ser visto como o retrato de um cenário perfeito, mas de uma chance de deixar a fé, a solidariedade, a paz e a compaixão aflorarem novamente em cada pessoa. “Ele fala de um mundo consolado, não perfeito, e de uma família unida e abençoada e não sem quaisquer problemas”, complementa.
Já o padre da Igreja Católica, Carlos Alberto Rodrigues, lembra que o Natal significa nascimento de um modo geral. Por isso, deve ser encarado como um período propício à reflexão. “É momento de nos perguntarmos se não estamos desperdiçando a vida com coisas pequenas, com picuinhas”, enfatiza. Assim, conforme ele, o modo correto de se celebrar o dia 25 é indo à missa ou ao culto para lembrar o protagonista da festa e, claro celebrá-la em família. “O ideal é reunir os familiares, falar assuntos agradáveis, evitar os excessos, não permitir que coisa alguma tire a paz própria do momento. Mesmo que na família tenha alguém que você não curta muito, a ceia não pode ter piadas de mau gosto ou indiretas inconvenientes”, lembra.
Para este sentido, o Wilbert também chama atenção. De acordo com o pastor, a celebração religiosa, assim como a familiar, é imprescindível. No entanto, a criatividade pessoal pode se encarregar dos enfeites e demais paisagens desfrutadas na data. O importante e inesquecível diz respeito aos sentimentos. Na opinião dele, comemorar o Natal é buscar a reconciliação consigo mesmo, com os próximos e o próprio Deus.
Comércio X Natal
O pastor Anildo Wilbert e o padre Carlos Alberto Rodrigues têm opiniões semelhantes quando o assunto associa o comércio ao Natal. Segundo este, a data só se transforma em algo meramente consumista no momento no qual se esquece o real sentido dela. “É bom que haja consumo, que haja movimentação da economia, mas os verdadeiros cristãos sabem diferenciar a tradição de trocar presentes da ideia de gastos desenfreados”, afirma.
Conforme Wilbert, os enfeites e as luzes brilhantes dispostos nas vitrines também contribuem na lembrança da celebração. “Hoje, há diversas datas festivas cristãs que não mais são lembradas, pois nada ou quase ninguém aponta para elas. A pergunta é como cada um de nós se posiciona diante do apelo comercial”, explica.

