E não é mais possível tratar sobre o mundo globalizado ignorando a sustentabilidade ambiental. Aliás, preservar o meio ambiente e impedir que se deteriore ainda mais começa com pequenas atitudes do dia a dia, como separar o lixo orgânico do reciclável ajudando na preservação, na casa e no trabalho. Essa atitude exige vencer a resistência para mudar velhos hábitos e favorece o digno trabalho dos recicladores, que fazem da atividade de recolher os materiais descartáveis o seu ganha-pão.
Isso sem falar nos profissionais que transformam o “lixo” em “luxo”, como os artistas plásticos, arquitetos, decoradores e até estilistas
Não podemos esquecer que a reciclagem gera grande movimentação econômica para um país, porque os materiais de refugo, como plástico, madeira, vidro, ferro e latas, são reaproveitados pelas indústrias, ou podem ser transformados em belas criações.
É certo que reciclar já é tema tratado nas escolas, em todos os níveis. Mas será que o mundo pode esperar que essa nova geração cresça, para só então passar a ter atitudes responsáveis com o meio ambiente? As mudanças climáticas são irreversíveis e foram causadas pela atitude predatória do homem, pelo desmatamento e pela extinção das espécies. O mal já está feito. Agora é cuidar daqui para frente e evitar que o planeta se deteriore ainda mais. Afinal, que mundo queremos deixar para nossos filhos e netos?
Especialista apresenta soluções
Ele nasceu no Irã, veio com oito anos para o Brasil, hoje tem dupla cidadania e está à frente de uma empresa de Jaraguá do Sul que oferece soluções sustentáveis. Estamos falando de Benyamin Parham Fard, 32 anos, nascido na cidade de Marshhad e que vive em solo brasileiro desde 1987.
Engenheiro eletricista com MBA em Gestão Ambiental, Beny Fard, como é mais conhecido, é diretor administrativo da Biovita Tecnologias Sustentáveis e está na segunda gestão como vice-presidente de Meio Ambiente da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul). Emprega mais de 20 profissionais, entre engenheiros, biólogos, geólogos e geógrafos. Desde 2011, ele também é colunista para assuntos de meio ambiente e sustentabilidade do O Correio do Povo.
“Elaboramos projetos para licenciamento ambiental junto à Fatma (Fundação do Meio Ambiente), Fujama (Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)”, atesta. Os projetos consistem em soluções voltadas à regularização fundiária e georreferenciamento (caracterização de imóvel através de satélite).
Já as variáveis da sustentabilidade, explica, são muito mais abrangentes do que se pensa, divididas em três vertentes. “Temos sustentabilidade ambiental, social e econômica.”
O especialista Benyamin esclarece que a sustentabilidade ambiental abrange gestão de resíduos, de emissão de gases de efeito estufa e soluções para projetos florestais, geoflorestais e de reflorestamento. A sustentabilidade social está relacionada à gestão de recursos humanos, comunicação com a sociedade, participação ou engajamento das empresas em seu meio e a contribuição que dão ao desenvolvimento da sociedade. Já a sustentabilidade econômica “tem a ver com os subsídios para que as empresas possam transparecer crescimento frente ao mercado, através de relatórios anuais”.
Traduzindo, o que é sustentabilidade? “Um dos primeiros pilares é a ética, os valores éticos e morais, como respeito ao próximo e às leis, transparência, responsabilidade sobre as próprias ações, como podem impactar na economia, ambiente e sociedade.” Não sonegar, se envolver na política (“não no sentido de política-partidária”), e respeitar o direito à acessibilidade, complementam esses preceitos.
E quanto ao meio ambiente? “Reciclar os próprios resíduos, reduzir o consumo de energia elétrica, racionalizar o uso e também reduzir o consumo de água”. Outro alerta lançado por Beny Fard é para o cuidado em não contaminar os cursos de água, nem lixo nos rios, ou terrenos baldios: com as enchentes, entopem bueiros e sistemas de drenagem pluvial, causando alagamentos. Ressalta que “um plástico demora 400 anos para se decompor na natureza”.
Jogar óleo na pia da cozinha também é inaceitável, “porque um litro de óleo pode contaminar um milhão de litros de água”.
Lembra que a CDL (Clube de Dirigentes Lojistas) aceita permanentemente o envio de lixo eletrônico (eletrodomésticos e eletroeletrônicos), destinado ao reaproveitamento de empresa licenciada de Florianópolis.
“Os jovens têm a capacidade de interpretar essas situações, mas a responsabilidade maior é dos adultos em seguir essas novas regras hoje.”

